Fãs dos Mamonas lotam cemitério

Morte do grupo completa um ano neste domingo

Agência Folha 02/03/97 20h21
De São Paulo

Centenas de pessoas visitaram neste domingo o túmulo onde estão enterrados os integrantes do grupo Mamonas Assassinas, no cemitério Parque das Primaveras, em Guarulhos (Grande São Paulo). No dia 2 de março do ano passado, eles morreram em um acidente com o avião Learjet prefixo PT-LSD, da empresa Madri Táxi Aéreo, que trazia o grupo de volta a São Paulo após um show em Brasília. O piloto Jorge Martins arremeteu o jato para o lado oposto ao indicado pela torre de controle do aeroporto de Guarulhos e não foi corrigido pelos controladores.

Levando flores, cartazes e posters do grupo, uma grande quantidade de fãs foi ao cemitério para prestar homenagem aos ídolos Alecsander Alves (o Dinho), Júlio Rasec, Alberto Hinoto (o Bento) e os irmãos Sérgio e Samuel Reoli. A auxiliar de enfermagem Maria Crepaldi, 26, vai ao cemitério todos os meses para rezar pelos rapazes. ''Hoje, além de ter vindo rezar, eu trouxe quatro cartazes e uma flor para cada um.''

A estudante Solange da Silva, 14, já perdeu as contas de quantas vezes foi até o cemitério para visitar os Mamonas. Indagada sobre quem são os culpados pelo que aconteceu, Juliana nem quis responder. ''Isto agora não tem a menor importância.'' Muita gente também compareceu com máquinas fotográficas para registrar o evento. A secretária Luciana da Silva, 24, acompanhou a carreira do conjunto desde o início e não pretende parar. ''Para mim eles continuam vivos.''

Luciana estava acompanhada da tia, a comerciante Joana da Silva, 42, que estava usando um par de brincos de ouro com o símbolo do grupo. Não faltaram também grupos de crianças vestidas com fantasias que a banda costumava usar e com os cabelos pintados de rosa e verde. Paulo Henrique Garashi, 12, veio de Mogi das Cruzes (Grande São Paulo) com os primos Bruno, Wellington, Carlos e Jeferson.

O estudante Nelito Pereira, 24, resolveu cantar no próprio cemitério. Ele passou o dia junto ao túmulo tocando violão e cantando sucessos dos Mamonas. Muitos presentes, entre eles o também estudante Leandro Silva, 18, cantaram junto. ''Todos os finais de semana a gente se reúne para cantar as músicas deles'', revelou Silva. Na opinião do rapaz, a banda foi a única que conquistou crianças, adolescentes e adultos.