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Assassinos reconstituem crime em Mongaguá

03/05/2000 21h54
FAUSTO SIQUEIRA
da Agência Folha

A polícia deu por encerrado o caso do assassinato dos três estudantes paulistanos no feriado de Páscoa em Mongaguá (litoral paulista), depois da reconstituição do crime realizada nesta quarta-feira (4) na casa de veraneio onde os rapazes foram mortos.

Com a participação dos acusados pelos homicídios, Luciano de Almeida, 23, e Cristiano Fondello Domingues, 20, a reconstituição confirmou os fatos apurados pela polícia, segundo o delegado titular de Mongaguá, Orlando Augusto de Souza, que preside o inquérito.

Participaram da reconstituição fotógrafos, desenhistas e peritos da polícia do litoral e do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), de São Paulo. “Houve uma perfeita correspondência entre o exame dos vestígios do crime e as informações dadas por eles (os acusados)”, afirmou Zacarias Lino da Silva, perito do Instituto de Criminalística de Itanhaém.

A reconstituição durou três horas e meia. Inicialmente, Almeida e Fondello foram entrevistados por Silva durante cerca de uma hora e meia. Em seguida, eles participaram da encenação do crime, na qual três policiais fizeram os papéis das vítimas Bruno Ruggeri de Paula Andrade, Ariel Lagatta de Souza e Danilo Ramos Ribeiro.

Os policiais destacaram a colaboração e a frieza do relato dos dois acusados, que confessaram o crime. “Fiquei até abismado porque às vezes o pessoal nega. Mas eles cooperaram prontamente”, afirmou Silva.

A reconstituição dirimiu algumas dúvidas, como o exato grau de participação de cada um. Luciano de Almeida, segundo os policiais, admitiu ter sido o autor dos golpes de faca e espeto de churrasco que levaram à morte os estudantes.

Fondello teria participado ao tentar estrangular Ariel Lagatta com uma corda e ao colocar álcool em um colchão jogado sobre o estudante, no qual Almeida, em seguida, ateou fogo.

Eles também confirmaram o uso por Fondelllo de um revólver calibre 22. Sob a ameaça da arma, a dupla teria amarrado e amordaçado os três amigos após obrigá-los a deitar no chão.
Segundo o perito Silva, a posição em que as vítimas foram colocadas (de bruços) garantiu a eficiência da mordaça, que não se soltou e impediu que os adolescentes gritassem. “Com o peso da cabeça para baixo, a mordaça ficou bem firme”, disse.

Concluída a fase de investigações, Almeida e Fondello deverão ser transferidos nesta quinta-feira (4), para o Cadeião de Praia Grande. O delegado aguarda agora os resultados dos laudos necroscópico e de impressões digitais para encerrar o inquérito, o que deverá ocorrer em 15 a 20 dias.

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