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CPI do Narcotráfico pede cassação de Augusto Farias
MÁRIO MAGALHÃES 03/05/2000 23h07
enviado especial a Maceió
O deputado Fernando Ferro (PT-PE) afirmou nesta quarta-feira (3) que a CPI do Narcotráfico pedirá à Câmara a cassação do mandato do deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão de Paulo César Farias, tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor.
Ferro é o presidente das sessões que um grupo de sete parlamentares da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) realiza em Maceió.
Os sete deputados também vão encaminhar individualmente requisições de abertura de processo de cassação sob acusação de quebra de decoro parlamentar.
Exigência
A afirmação do deputado petista foi feita após Augusto Farias ter se apresentado por iniciativa própria para depor à comissão, prestado juramento e, no entanto, condicionado sua permanência ao silêncio do deputado Róbson Tuma (PFL-SP), que não poderia fazer perguntas.
A CPI negou o pedido do deputado alagoano. Augusto Farias se retirou após discursar. A principal acusação contra Augusto Farias é a suposta propriedade de uma empresa - a Tigre Vigilância Patrimonial de Alagoas Ltda. - em nome de testas-de-ferro.
Na terça-feira, a comissão prendeu o sócio majoritário da Tigre, Marcos Maia, acusando-o de mentir, ao afirmar não ter feito pagamento de contas do deputado com fundos da Tigre.
Extrato do Banco Rural mostra que o dinheiro para pagamento do condomínio de fevereiro do apartamento de Augusto em Maceió saiu de conta da empresa.
O juiz Paulo Roberto de Oliveira Lima, da 2ª Vara Federal, relaxou ontem a prisão de Maia, considerando-a arbitrária. Para o juiz, o empresário tinha o direito de ficar calado na CPI.
“Maia tentou esconder que na verdade é ‘laranja’ de Augusto”, disse o deputado Reginaldo Germano (PFL-BA). O grupo de deputados que está em Maceió não tem poder para encaminhar a proposta de cassação em nome da CPI.
Antes, o tema será discutido pelos 19 integrantes da comissão. Haverá também as requisições individuais.
Os deputados citarão o que chamam de “mentira” do parlamentar sobre a Tigre e a exigência de calar um deputado da CPI na sessão de ontem.
Róbson Tuma disse que a CPI tem documentos que provariam a existência de propriedades de Augusto Farias não declaradas à Receita Federal.
Terceira CPI Augusto Farias nega todas as acusações. Ontem, ele reafirmou que dá dinheiro em espécie para Marcos Maia -dono de uma empresa que fatura mais de R¹ 5 milhões por ano - pagar suas contas. Só que o condomínio de fevereiro foi quitado via conta da empresa.
Esta, como lembrou na quarta o deputado, é a terceira Comissão Parlamentar de Inquérito que o investiga. A primeira apurou o esquema Collor-PC, que resultou no impeachment do presidente da República em 1992.
Depois, em 1992, Augusto também foi alvo da CPI sobre irregularidades no Orçamento da União.
No processo que levou à cassação do deputado Talvane Albuquerque por supostamente ter mandado matar outra deputada alagoana, Ceci Cunha, em 1998, Augusto foi advertido.
Motivo: manteve conversas com o pistoleiro Chapéu de Couro, que foi procurado por Talvane para matá-lo.
Augusto Farias disse que a CPI do Narcotráfico está “usurpando competência” por investigar casos sem relação com o assunto.
Ele virou alvo da comissão após o motorista Jorge Meres ter relatado que trabalhava para uma quadrilha de roubo de caminhões e cargas e de tráfico de drogas integrada por Augusto Farias.
“A CPI investiga o narcotráfico e crimes conexos. Não se pode falar em narcotráfico sem apurar o crime organizado”, disse o deputado Róbson Tuma.
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