CNBB lança Campanha da Fraternidade de 1997

Igreja alerta para a situação das prisões e dos presos no país

Agência Folha 12/02/97 18h58
De Brasília

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançou nesta quarta-feira (12), em Brasília (DF), a Campanha da Fraternidade para 1997, que tem como tema "Fraternidade e os Encarcerados". Em sua 35 edição, a campanha pretende alertar e colocar em debate a situação das prisões e as condições de vida dos presos do país.

Pelo documento divulgado nesta quarta, a Igreja Católica pretende estimular ações concretas para "uma mudança e melhoria da política penal, criação de conselhos de comunidade nos quais estado e sociedade assumam, em parceira, a questão penitenciária e capacitação dos funcionários das prisões e da polícia para uma atuação educativa e humana".

A campanha foi divulgada em entrevista coletiva do secretário-geral da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, e pelo secretário-executivo da campanha, padre Francisco de Assis Wloch. Todo o material de campanha, cerca de 30 produtos entre livros, cartazes e folhetos explicativos, será distribuído a partir de quinta-feira ao público e às paróquias e dioceses de todo o país.

"Creio que o material terá uma repercussão e modificará a nossa atitude quanto aos presos e às prisões", disse dom Raimundo. "Toda pessoa humana é passível de se recuperar, mas também é necessário que as condições das prisões não sejam degradantes", afirmou o secretário-geral da CNBB.

A campanha será lançada nacionalmente nesta quarta à noite em cadeia de rádio e TV, com mensagem do papa João Paulo 2 e do presidente da CNBB, dom Lucas Moreira Neves.

CNBB diz que punição no Brasil
tem "privilégio de classe"

O documento de lançamento da Campanha da Fraternidade de 1997 critica a desigualdade na consideração dos delitos e dos infratores no país. Segundo o texto, "a punição parece ter privilégio de classe. Os pobres são os suspeitos de sempre e os criminosos de 'colarinho branco' quase sempre ficam impunes e continuam delinquindo."

A campanha deste ano da CNBB trata da situação carcerária do país e das condições de vida dos presos. O texto aponta ainda que os responsáveis por crimes de "colarinho branco" se associam a empresas fictícias para "lavagem" de dinheiro e alcançam privilégios em lugar de serem castigados. De acordo com a CNBB, atualmente existem 129.169 presos no Brasil (96,31% homens e 3,69% mulheres), dos quais 95% são pobres ou muito pobres.

Informações na Internet

  • CNBB - Site oficial da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil