Ambiente
13/11/2007 - 07h26

Vazamento de combustível ameaça litorais da Rússia e da Ucrânia

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da Efe, em Moscou

As mais de mil toneladas de combustível que vazaram no domingo do navio petroleiro russo Volga-Neft ameaçam desencadear uma catástrofe ambiental nos litorais russo e ucraniano do estreito de Kerch, que separa o Mar Negro do Mar de Azov.

"A ameaça de contaminação das costas russa e ucraniana do estreito de Kerch ainda está presente", informou na segunda-feira (12) o Ministério de Situações de Emergência russo.

A mancha de combustível --quase 1.300 toneladas, segundo estimativas oficiais-- alcançou o litoral russo no começo da manhã de ontem, segundo informaram as autoridades portuárias.

"A mancha já chegou à costa. As aves pousam sobre o combustível e morrem", disse Aleksander Dovgal, diretor-adjunto da filial da Corporação Portuária Russa em Tamansk, citado pela agência "Interfax".

Devido à pior tempestade dos últimos 30 anos, o Volga-Neft, que transportava 4.077 toneladas de combustível, se partiu em dois no domingo, perto do porto russo de Kavkaz, no meio do estreito de Kerch.

Os 13 tripulantes do petroleiro sobreviveram ao acidente e foram resgatados horas depois.

No domingo, ventos de até 100 km/h e ondas de cinco metros transformaram o porto em uma zona de catástrofe.

Cinco embarcações naufragaram, 23 marinheiros estão desaparecidos e mais de 30 navios tiveram que se proteger da tempestade nos portos da região.

As autoridades locais mobilizaram ontem mais de 100 membros da Marinha para os trabalhos de recolhimento e limpeza do combustível que vazou na península de Tuzla.

Em outras partes do litoral da região russa de Krasnodar, as autoridades locais também organizaram seus próprios esquadrões de limpeza.

Análise

Uma equipe de especialistas sobrevoou de helicóptero a região do vazamento para avaliar a magnitude da catástrofe.

"A partir dos resultados da inspeção, os especialistas do Ministério [de Situações de Emergência] farão uma previsão sobre as possíveis seqüelas ecológicas do vazamento", assegurou Victor Beltsov, porta-voz do ministério.

O subdiretor do Serviço Federal de Proteção da Natureza russo (SFPN), Oleg Mitvol, viajou até a zona do acidente à frente de uma comissão de investigação.

"Os trabalhos para restabelecer o estado ecológico do estreito levarão meses", declarou no domingo.

Catástrofe

O especialista em energia nuclear do Greenpeace Rússia, Vladimir Tchuprov, tachou o vazamento de combustível de "catástrofe ecológica" e disse que, na melhor das hipóteses, o ocorrido terá "magnitude local".

"As seqüelas podem se prolongar por meses, anos ou décadas. As medidas tomadas no momento pelas equipes de salvamento é o máximo que se pode fazer, mas pouco ajuda", disse.

As autoridades do balneário russo de Sochi, situado a 300 quilômetros do estreito de Kerch, também formaram uma comissão para combater as seqüelas deixadas por esta tempestade.

O primeiro-ministro ucraniano, Viktor Yanukovich, propôs à Rússia a criação de um grupo de trabalho conjunto, e disse também que a mancha "está se afastando do território da Ucrânia".

Entretanto, o primeiro-ministro acrescentou que "por enquanto é difícil dizer para onde a mancha se dirige, se vai para a costa russa, a turca ou a georgiana".

 

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