Lula cobra países ricos pela preservação do ambiente
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Em defesa do meio ambiente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou nesta quinta-feira para que os países ricos cooperem com a redução das emissões de gases-estufa e apóiem a produção de biocombustíveis. Segundo Lula, o governo brasileiro cumpre sua parte, buscando meios de conter o desmatamento na Amazônia. Indignado, o presidente reagiu aos críticos de sua política ambiental.
"A floresta amazônica é a principal vítima, não causadora", disse o presidente durante o fórum de legisladores que integram o G8+5 --que reúne Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Grã-Bretanha, EUA, África do Sul, Brasil, China, Índia e México--, que estão em Brasília.
"O sucesso do Brasil em enfrentar o desmatamento trará imensos benefícios à humanidade", afirmou ele. O presidente discursou por cerca de 45 minutos. Inicialmente, Lula leu o que havia preparado. Mas ao final, improvisando, o presidente mandou um recado aos países ricos que resistem em assinar o Protocolo de Kyoto --acordo internacional que visa a redução das emissões de gases-estufa dos países industrializados no esforço de garantir o chamado desenvolvimento limpo.
"O Protocolo de Kyoto não pode ser uma peça de ficção. É muito fácil assinar um documento e depois esquecer", disse o presidente. "É preciso pagar para que os países pobres façam no século 21 aquilo que os países ricos não tiveram coragem de fazer [no passado]", disse ele, sendo aplaudido pelos presentes.
Sem fazer referências diretas aos países que resistem a assinar o Protocolo de Kyoto, Lula criticou-os: "[Os países ricos] que na maior desfaçatez arrumam argumentos para não cumprir [o definido no documento]".
O documento prevê que, entre 2008 e 2012, os países desenvolvidos reduzam suas emissões em 5,2% em relação aos níveis medidos em 1990.
Biocombustíveis
Entusiasmado, Lula disse que a produção de biocombustíveis é a alternativa para os países pobres. Rebatendo os que afirmam que as áreas que produzem alimentos serão utilizadas para os biocombustíveis, o presidente reagiu, informando em números detalhados que a prioridade de todos os governos deve ser garantir alimentos à população.
"O Brasil ao produzir biocombustíveis não vai ofender a Amazônia. O governo brasileiro está tomando medidas duras", disse o presidente, referindo-se às últimas medidas anunciadas pelo governo para conter o desmatamento. "Sei que no exterior dizem que estamos desmatando a Amazônia para produzir biocombustível", afirmou.
Lula destacou ainda que outra preocupação mundial é com a produção energética. Segundo ele, o governo brasileiro é contrário à concentração de esforços em uma única matriz energética baseada na soja, por exemplo.
O presidente lembrou que a soja é um alimento, e o ideal é buscar outras plantas que não sejam alimentícias para a produção de energia. De acordo com ele, há experiências desenvolvidas no país com mamona e o dendê.
Lula destacou também que as ações realizadas no presente vão ter efeitos no futuro. "O desafio não é pensarmos apenas no que estamos vivendo hoje. [As ações em parceria entre ricos e pobres] ajudarão a humanidade a prosperar, sem prejudicar as futuras gerações", afirmou o presidente. "É tempo de corrigir. É tempo de corrigirmos o que não fizemos antes."
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