Jürgen Haffer lança biografia do biólogo Ernst Mayr
EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo
O outro "pai" da teoria dos refúgios, Jürgen Haffer, vive na Alemanha e continua produzindo. No fim do ano passado, saiu pela editora Springer a obra "Ornitology, Evolution and Philosophy: The Life and Science of Ernst Mayr (1904-2005)".
A biografia de um maiores biólogos da história (morto em 2005, aos cem anos) impressiona pelo detalhamento, a tal ponto de o texto ficar arrastado em alguns momentos.
Vanzolini não invalida a figura do Mayr biólogo ("O livro dele de 1942 mudou a minha vida."), mas critica o homem. "Não gosto dele. De santo não tem nada."
O descontentamento ocorreu quando o brasileiro estava em Harvard, EUA, fazendo doutorado. "O meu chefe, Alfred Romer, me disse que tinha uma verba para levar cientistas ao congresso internacional de zoologia. Mas, para isso, todos os convidados precisavam ser escolhidos por unanimidade por um conselho."
O nome de Vanzolini foi vetado por Mayr. Vanzo quis saber por quê. "Ele me mostrou uma lista e disse que eu não o havia citado em um dos meus trabalhos. Ele colecionava nomes de pessoas que não o citavam nos trabalhos."
Vanzo também declara seu amor por Charles Darwin. "Você lê as coisas dele, as dúvidas que ele teve na vida e vê que ele era genial. O Darwin já deixou tudo pronto [na biologia]."
Mas nem mesmo o pai da teoria da evolução escapa de uma alfinetada. "Do Brasil ele não gostou muito não. Tenho impressão de que por racismo. Com os negros, os índios, os pobres em geral."
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