Ambiente
13/05/2008 - 17h34

Para Greenpeace, saída de Marina Silva mostra mudança de postura do governo

FELIPE MAIA
da Folha Online

A organização ambientalista Greenpeace classificou como um "desastre" o pedido de demissão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, entregue nesta terça-feira (13) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para a organização, o fato mostra uma mudança de postura do governo em relação à questão ambiental.

"Nossa opinião é que isso [o pedido de demissão] é a prova cabal e derradeira das reais intenções do governo Lula em relação a essa questão. O meio ambiente, a questão da Amazônia, perdeu seu anjo da guarda, a única voz no governo que ainda defendia a prudência, o juízo, em relação às questões ambientais", afirma Sergio Leitão, diretor de políticas públicas do Greenpeace, à Folha Online.

Ele aponta como um exemplo disso o fato de Lula ter entregue a coordenação do comitê gestor do PAS (Plano Amazônia Sustentável) ao ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, que, na visão do Greenpeace, não tem tradição na luta pela defesa do ambiente.

Na visão do Greenpeace, o fato de Marina ter sido --ao lado de Antônio Palocci-- a primeira ministra confirmada por Lula, em 2002, era uma demonstração da importância que o governo queria dar às questões ambientais, o que acabou não ocorrendo. "É um compromisso que foi completamente esquecido", diz o diretor da organização.

Confronto

Marina também entrando em conflitos com outros ministérios, como a Casa Civil e a Agricultura, em casos e questões que opõem proteção ambiental a interesses econômicos.

Marina também enfrentou problemas com os servidores do Ibama, insatisfeitos com a divisão do órgão e com a criação do Instituto Chico Mendes. Para protestar contra a criação do órgão, os servidores do Ibama fizeram uma greve, que foi criticada publicamente pelo presidente Lula.

"Sabíamos da dificuldade que ela vinha enfrentando, remando contra a maré diariamente ao tentar mostrar que a questão ambiental não é uma pedra no sapato no caminho do desenvolvimento", afirma o diretor do Greenpeace.

Segundo Leitão, a saída de Marina é "a tradução do que o governo quer fazer com a área ambiental". "Independente de quem seja escolhido [para a sucessão], assumirá diante desse patamar de decisão, de que a questão ambiental deve ser afastada. É um sinal de que a questão ambiental não deve ser levada em consideração', afirma.

Especialistas

Para Pedro Roberto Jacob, professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (Procam-USP), Marina Silva "foi muito generosa em permanecer até agora".

"Pelo visto, chegou no limite dela. Ela foi quase que maltratada pelos próprios atores de governo." Jacob opina que "provavelmente seu sucessor não terá o carisma e história de militância que ela tem".

Segundo o especialista em recursos hídricos Sérgio Kóide, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB (Universidade de Brasília), "dependendo de quem a substitua, a questão [ambiental] vai piorar no país".

"Ela já vinha tentando segurar as coisas desde a aquela polêmica dos transgênicos. Sempre teve posições boas, mas sem força."

Comentários dos leitores
Sudeste/ sudestino (39) 03/06/2008 16h34
Sudeste/ sudestino (39) 03/06/2008 16h34
Shouthem Brazil Lumber & Colonization Company do norte-americano Percival Faquhar, recebeu do governo brasileiro autorização para colonizar Paraná e Santa Catarina.
A empresa enviou do Paraná para os EUA, 250 milhões de pinheiros da espécie araucária documentados, chegando a 750 milhões de forma ilegal.
Em Santa Catarina o norte-americano mandou para os EUA 800 milhões de árvores.
A conseqüência dessa colonização estrangeira foi a guerra do contestado de 1912 a 1916.
Fonte: Wikipédia - Destino Manifesto
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Anna Carolina Sphair (3) 03/06/2008 10h20
Anna Carolina Sphair (3) 03/06/2008 10h20
CURITIBA / PR
Desmatar a floresta Amazônica para tirar madeira de lá é sinal de que o Brasil é realmente um país muito PRIMITIVO! Explorando a floresta de um modo inteligente,realizando pesquisas, descobrindo medicamentos, se ganharia muito mais dinheiro, cultura e tecnologia!!! A floresta tem um potencial imenso, que é jogado no lixo cada vez que uma árvore cai... pra quê? Para retirar madeira de lá? Usem a Amazônia do modo correto, preservando, utilizando sem destruir. Se isso for feito,ela sempre estará lá, para gerar novos recursos. Se continuarem derrubando a floresta apenas, uma hora a fonte vai secar. Vai chegar o tempo emq ue apenas ter dinheiro não será o suficiente para sobreviver, o meio ambiente vai mostrar isso, como já está fazendo... Senadores,deputados, Sr.Presidente...estamos d eolho nas vossas ações!!! 2 opiniões
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Rubens Junior Moreno Rubio (71) 31/05/2008 09h41
Rubens Junior Moreno Rubio (71) 31/05/2008 09h41
quero ser legal, juro que quero trabalhar legalmente, mais protocolei uma LAU, na região amazonica, para exploração de um projeto de manejo de 618 (seiscentos e dezoito hectares), que daria por volta de 21.000 m/3 de madeira legalizada, explorada como quer os bambis ambientalistas, mas até agora nem começou a andar o projeto, depois como quererm que os fazendeiros trabalhem honestamente, sejam honestos com nós e seremos o mesmo, já já
não aguento mais financeiramente, por que fica caro manter a área, e vou desmato tudo e jogo semente de capim, não está me restando outra alternativa
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