Ambiente
02/06/2008 - 22h47

Em 12 meses, Amazônia perdeu área equivalente a seis São Paulos

da Folha Online

Entre maio de 2007 e abril de 2008, os últimos 12 meses registrados pelo sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), a Amazônia sofreu um desmatamento de 9.495 km2, o equivalente a mais de seis vezes a área da cidade de São Paulo. Só no último mês de abril, foram desmatados 1.123 km2, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

De acordo com o relatório do instituto, os Estados em que foram registradas as maiores áreas desmatadas em abril foram Mato Grosso (794,1 km2) e Roraima (284,8 km2). O governo de Mato Grosso, o líder em desmatamento em abril, informou que os dados do Inpe serão verificados em campo.

"Onde for comprovado o desmatamento ilegal será lavrado o auto de infração. Os números do Deter são alertas para a fiscalização, e nós vamos continuar fiscalizando", afirmou o secretário de Meio Ambiente do Estado, Luis Henrique Daldegan, em nota.

Roberto Jayme/Reuters
Carlos Minc considerou "preocupantes" os dados sobre desmatamento e anunciou pacote de medidas para a Amazônia
Carlos Minc considerou "preocupantes" os dados sobre desmatamento e anunciou pacote de medidas para a Amazônia

Em março, o índice de desmatamento havia ficado em 145 km2, mas esse dado não é confiável para comparar o desmatamento na floresta.

Isso porque, conforme o Inpe, o aumento pode ser explicado, em parte, pela maior oportunidade de observação do sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), que faz essa medição.

Isso porque em março deste ano 78% da Amazônia estava sob nuvens e, em abril, esse índice foi reduzido para 53%.

No Mato Grosso, por exemplo, que teve uma área de desmatamento registrada de 112,4 km2 em março, a cobertura de nuvens diminuiu de 69% para apenas 14% em abril.

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) considerou que os dados são "preocupantes". Ele anunciou um pacote de medidas para coibir a destruição de florestas na região, entre elas o início da apreensão de gado criado em propriedades não regularizadas --chamada por Minc de operação "boi pirata"-- e a criação de um batalhão de guarda florestal para evitar ações de degradações às florestas.

Apesar de admitir que os dados do Inpe podem não ser precisos, uma vez que as imagens aéreas captadas na Amazônia foram prejudicadas por nuvens na região, Minc ressaltou que os números indicam que o desmatamento na Amazônia pode crescer ainda mais nos próximos meses.

"Os piores meses de desmatamento, historicamente, são junho, julho e agosto. Não podemos dormir no ponto, o pior está por vir. Mesmo sendo um indicativo, impreciso, com nuvens, é comparado com outros semelhantes", alertou.

O ministro atribuiu o crescimento das áreas desmatadas ao aumento do preço da soja e da venda de gado no mercado econômico. Segundo Minc, há uma relação direta entre o aumento do preço da carne, da soja e o desmatamento.

"Isso significa estímulo para que novas áreas sejam ocupadas. É muito mais até o gado do que a soja, que normalmente é a segunda etapa da produção", afirmou.

Minc anunciou que, a partir do dia 15 junho, a operação "boi pirata" vai monitorar a cadeia produtiva do gado. As siderúrgicas, frigoríficos, madeireiras e agropecuárias serão notificados para que informem ao governo todos os seus fornecedores de carne. Os identificados como 'irregulares' terão a produção de gado apreendida pelo governo.

"Se uma siderúrgica compra material de frigorífico ilegal, ela é responsável pelo crime ambiental', explicou Minc. O ministro não descarta doar o gado apreendido para o programa Fome Zero, do governo federal. 'Pode ser uma alternativa para alimentar a quem precisa."

Controle

Minc disse que, também a partir deste mês, o governo vai ampliar o controle sobre a região amazônica com o envio de 500 homens para a fiscalização da região --como o núcleo da futura 'guarda nacional ambiental' que será criada no país.

Em conversa com o ministro Tarso Genro (Justiça), Minc disse que recebeu o compromisso de que será criado um batalhão especial com treinamento ambiental para agir a partir do segundo semestre deste ano no combate ao desmatamento.

O ministro ainda espera que a decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional) de restringir, a partir de 1º de julho, a concessão de financiamento agrícola para quem não cumpre critérios ambientais também vai ajudar na redução das áreas desmatadas.

Outra medida do governo, segundo Minc, será criar uma espécie de "paredão verde de unidades de conservação" para coibir o desmatamento.

"O dado é preocupante, não vamos brigar com o termômetro, não queremos chorar a seiva derramada. Vamos agir, o tempo é curto, as medidas estão certas, não deu tempo para surtirem efeito, algumas nem começaram. O boi pirata vai começar a partir de junho. Várias começaram e ainda não renderam frutos, outras estão começando agora", enfatizou.

Comentários dos leitores
Luís da Velosa (117) 09/10/2008 02h57
Luís da Velosa (117) 09/10/2008 02h57
Se for para desmatar, esses assentamentos devem ter regras rígidas para o seu desiderato. Cabe, então, ao Ministério do Meio Ambiente, enviar ao Congresso as regras constritantes desse desvio de finalidade propositado, com apenações mais severas, da multa à perda da gleba, caso continuem a agredirem a natureza e por em risco a nossa sanidade ambiental. Não se pode condescender com essa anomalia, sob pena de serem inóquas as medidas paralelas de manutenção do equilíbrio ecológico. O ministro MINC tem sensinbilidade suficiente para inibir essa patologia endêmica que quer, porque quer, destruir os nossos ecossistemas. E tem que ser logo. Depois, será tarde demais e a história lhe fechará as portas. sem opinião
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Alcides Emanuelli (477) 08/10/2008 14h51
Alcides Emanuelli (477) 08/10/2008 14h51
Ao Gamarra, Carlos José dos Santos e Barata, suas palavras soam como suplicas, como lagrimas elas caem e secam na poeira, mas sempre resta um pinto de esperança pelo respeito a Natureza, continuar é viver e querer é lutar e nos obrigamos a continuar em nossas buscas do Bem para a humanidade.
Um breve relato de uma região que morei um dia e vivi, a Região do Rio Araguaia no Mato Grosso onde foram implantado mais de 30 projetos fundiarios na Época dos anos 70.
Como era a legislação, o interessado comprava 400 he e teria o direito de desmatar 50%, os outros 50% deveria ser preservação do serrado da região, mas eles desmatavam mais que os 50% para plantar o arroz sequeiro, tudo com emprestimos do Banco do Brasil, tudo com a supervisão de instituições publicas de agropecuarias.
O homem não tem limites em suas ambições e não respeita nada e quando alguem fala ele diz que é desenvolvimento, e vai destruindo tudo que vê pela frente por interesse financeiro o principal interesse são os financiamento do Banco do Brasil e a primeira coisa que faz quando toma um financiamento e trocar a camionete e comprar uma moto mais potente.
Agora vem algumas palavras para o Ministro Minc e para o INCRA, nunca vai existir preservação da natureza com desmatamento parcial nos lotes, se não fizerem reservas totais onde o homem não vai poder morar, nem destruir, a unica forma de conviver com essas áreas seria o extrativismo com a preservação total.
Se não for feito assim não há preservação.
sem opinião
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Gamarra R (100) 07/10/2008 11h13
Gamarra R (100) 07/10/2008 11h13
PARTE I
Conforme a lista divulgada dos 100 maiores desmatadores do país, a área total desmatada é de 520.666.985 hectares, somente o INCRA desmatou 229.208.649 desse total (44% dos desmatamentos no país).
Quase a metade das florestas derrubadas no Brasil foi devastada a partir de oito projetos do INCRA, todos em Mato Grosso, estado governado por Blairo Maggi, alvo de muitas críticas do ministro Minc. O governador vem insistindo há tempos que as aparências enganavam, mas tudo parecia uma simples defesa do homem que já foi "premiado" com o título de "moto-serra de ouro". Mas ele estava certo. Não vamos isentá-lo, mas ele não pode ser "demonizado" como costuma acontecer. Afinal, como sempre reforça Carlos Minc, os números estão aí para provar qualquer tese.
Segundo Reinaldo Azevedo - Veja: "Sozinho, o INCRA fez quase o mesmo do que fizeram os outros 92 (Lista dos 100). E onde estão todas essas áreas? No Mato Grosso, governado por Blairo Maggi, transformado na Geni dos ambientalistas; considerado uma espécie de "outro lado" de Marina Silva, a Madona Evangélica dos Povos da Floresta; ou, então, o brutamontes que só pensa em soja, invadindo as florestas agora defendidas por Carlos Minc e seus coletes maravilhosos"
(CONT.....)
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