Ambiente
06/06/2008 - 08h46

Elite brasileira é ecologicamente inviável, diz ONG

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LUCAS FERRAZ
da Folha de S.Paulo, em Brasília

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a organização não-governamental WWF-Brasil divulgou pesquisa em que alerta: se toda a população mundial adotasse padrão de consumo semelhante ao das classes A e B brasileiras, seriam necessários três planetas para suprir todos os recursos utilizados.

De acordo com a pesquisa, a elite brasileira tem hábitos insustentáveis ambientalmente e exercem uma má influência ao servir como modelo de aspiração de consumo para as classes emergentes. "Afinal, todos querem ter e consumir como as classes A e B", afirma Irineu Tamaio, coordenador do programa Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF.

Intitulado "Tendências e Hábitos do Consumo dos Brasileiros", o trabalho, realizado em parceria com o Ibope, tem o objetivo de despertar a sociedade e fazê-la pensar em mudanças nos hábitos e padrões de consumo, afirma o WWF.

O Ibope realizou a pesquisa em 142 municípios de todas as unidades da Federação, no período entre os dias 13 e 18 de maio. Foram entrevistadas 2.002 pessoas. A margem de erro, segundo o instituto, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Carro e banho

Uma parcela de 13% dos entrevistados diz que o carro é o único meio de transporte. E as classes A e B gastam mais tempo no banho, também --mais de 20 minutos, para 13%, segundo o levantamento do WWF. Samuel Barreto, coordenador do programa Água para a Vida do WWF, afirma que, se esse tempo fosse reduzido pela metade, poderia ser economizada água suficiente para abastecer, por um dia, uma cidade com mais de seis milhões de habitantes (o município de São Paulo tem 11 milhões).

"Isso, em uma projeção baixa, com um gasto por minuto de três litros de água por pessoa", disse. A ONU (Organização das Nações Unidas) recomenda que cada habitante use 200 litros de água para higiene pessoal, o que não inclui apenas o banho. "As ações individuais, se comparadas em escala, têm impacto ambiental muito grande", completou.

O WWF, contudo, fez questão de ressaltar que não é contra o consumo em si, que ajuda a aquecer a economia. "É preciso mudar o hábito. A informação é muito importante, pois pequenas mudanças são essenciais para se chegar a um padrão sustentável", afirmou Denise Hamú, secretária-geral da organização.

Segundo ela, é preciso investir nas mudanças dos hábitos da população, principalmente quando se analisa padrão de consumo --cada vez mais crescente-- dos quatro principais países emergentes: Brasil, China, Rússia e Índia.

"Se continuarmos com esse modelo, chegaremos ao colapso", resumiu Irineu Tamaio.

Se toda a população mundial consumisse como a média dos cidadãos dos Estados Unidos, país que mais consome e que ocupa o topo da lista de nações insustentáveis do ponto de vista do consumo, seriam necessários cinco planetas.

Os EUA são, de longe, o maior emissor per capita de gases do efeito estufa. Em contrapartida, se todos adotassem o padrão da Somália, na África, sobrariam recursos naturais e não seria necessário nem ao menos um planeta --o índice seria de 0,22.

Comentários dos leitores
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Tenho pela certeza que o sr. Reis sabe o que diz. Não posso recriminá-lo pelas suas palavaras, pois vivo na Amazônia e sei exatamente o que acontece nos dois extremos, do degradador e do ambientalismo, muitas das vezes radical. Não podemos negar que há pessoas sem nenhum preparo para respeitar as questões ambientais, mas também não podemos negar que a pobreza causa muito mais impacto negativo, seja socialmente como ambiental, portanto tenho que respeitar a opinião do Sr. Reis, pois Londres, Paris, Amsterdã, entre outras cidades ricas da Europa, Oceania, Canadá e EUA estão no topo do ecologismo, sendo modelos de preservação ambiental, depois de esgotarem seus recursos naturais, sendo assim foi fácil recuperar um Tâmisa, um Sena, mas veja se a indústria parou? Aqui na Amazônia existem pessoas sérias, existem fazendas de gado, muito melhores, na questão ambiental, do que muitas que conheci em São Paulo, existem muitas áreas agrícolas que respeitam as APP's, o que a gente não vê no oeste do Paraná. Então saudações ambientais sr. Reis e que Deus sempre o ilumine. sem opinião
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oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
Esta é uma coisa razoavel que o Presidente Lula disse nestes ultimos dias de avalanches politicos negativos.
O Meio Ambiente é um bem de todos, produtores ou não. E nada mais justo que haja participação da classe produtora nas decisões para preservação ambiental , pois essa matéria sempre aconteceu de forma unilateral e eu sou testemunho disso, pois estou na area ambiental a 30 anos e com segurança digo que se essas areas não interagirem jamais teremos preservação de verdade.
Não devemos esquecer que o desenvolvimento é uma necessidade imediata de qualquer ser humano, seja ele ambientalista ou produtor, pois ambos respiram, comem, trabalhão. ao contrario das consequencias ambientais causada pelo desenvolvimento insutentavel que leva tempos para ser percebido levando varias gerações as vezes para se manifestar. Portanto a educação ambiental e a aplicação de leis adquadas feitas com a participação de ambas as partes seriam o ideal para os bons resultados na luta pela preservação ambiental.
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Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
O problema não é desmatar, e sim o que o pessoal vai vazer da vida depois de desmatar a Amazônia. Vai viver de quê?
Aqui no sudeste e sul do país o que aconteceu foi um desmatamento desinfreado que não trouxe vantagem alguma.
Quem ganhou muito dinheiro com o desmatamento acabou vendendo sua propriedade e foi pra cidade viver de aluguel de imóvel.
Quanta área aqui no sudeste e sul é mal utilizada pelo produtor rural. Agora as áreas desmatadas valem menos que as áreas com reserva legal e APP.
O problema todo é renda para as pessoas, enquanto uma árvore valer mais deitada do que em pé não existirá preservação ambiental aqui no Brasil.
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