Lula diz que países devem abandonar "debate genérico" sobre o questão ambiental
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (14) que, durante a cúpula do G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia), realizada na semana passada no Japão, procurou fazer com que os governos deixassem de discutir a questão ambiental de forma genérica e passassem a analisar o assunto com números. Segundo o presidente, foi uma forma de mostrar que os países industrializados há mais tempo têm maior responsabilidade no assunto.
"Nós pegamos um estudo de um centro de informação de energia dos Estados Unidos que mostrava que de 28 bilhões de toneladas de CO2 que foram emitidas no ar em 2005, os Estados Unidos são responsáveis por 21%, a China por 18%. E as pessoas não querem discutir números. E eu quero discutir números porque o Brasil neste aspecto é um dos países que menos polui", afirmou Lula, em seu programa semanal "Café com o Presidente".
Para Lula, o Brasil também tem responsabilidade com a diminuição das emissões de poluentes, mas "nós temos que saber a parte que toca a cada um [cada país]". Isso porque, para o presidente, há locais que emitem mais poluentes e os países que estão se industrializando agora têm menos responsabilidade nesse assunto. "Por isso é importante discutir números", disse ele, no programa.
"Porque senão fica um debate genérico, os ricos tentando jogar a culpa em cima dos pobres dizendo que os biocombustíveis são responsáveis pelo preço dos alimentos, porque são responsáveis pela poluição", afirmou Lula.
Ele afirma que concovou os participantes da cúpula do Japão para um seminário internacional sobre biocombustíveis, marcado para 20 e 21 de novembro, no Brasil, para discutir o assunto.
Timidez
Na semana passada, os países do G8 concordaram em reduzir as emissões de COºº2ºº (dióxido de carbono) em 50% até 2050, como forma de controlar a mudança climática. Apesar de ser a primeira vez que os Estados Unidos aceitam cumprir uma meta de redução, organizações ambientalistas classificam o acordo, de longo prazo, como tímido.
O acordo foi fechado durante cúpula do grupo, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia, realizado em Toyako, no Japão.
Esta é a primeira vez que os Estados Unidos aceitam uma meta de redução de gases do efeito estufa. O país não aderiu ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012, e até agora buscava um acordo mais amplo, que incluísse grandes economias emergentes, como China e Índia.
No ano passado, em sua reunião realizada na Alemanha, o G8 apenas conseguiu chegar a um acordo para 'considerar seriamente' a meta de reduzir as emissões em pelo menos 50% para 2050.
Os presidentes do Brasil, México, China, Índia e África do Sul, os membros do G5, pediram aos colegas do G8 que se empenhem em conseguir uma redução maior da emissão de gases poluentes para lutar contra a mudança climática.
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