"Não pedi para ser ministro", diz Carlos Minc no balanço de cem dias de ministério
da Folha Online
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) divulgou carta na qual faz um balanço dos cem dias desde que assumiu a pasta, informa o blog Ciência em Dia. Minc inicia o documento afirmando que que não pediu para ser ministro. "Não queria e ainda coloquei condições para aceitar", diz.
"É uma prestação de contas, sobretudo para aqueles que conhecem minha história e sabem que não permitirei que o Pantanal se transforme num canavial, que não pedirei adiamento das normas para redução do teor de enxofre no diesel, que não aceitarei que a floresta nativa da Amazônia se converta em plantação de exóticas."
Para ler a carta completa, clique aqui.
Segundo informou reportagem da Folha deste mês, o governo reconheceu o desrespeito à redução de emissão de poluentes prevista para entrar em vigor em todo o país daqui a quatro meses e, para compensar um dos maiores passivos ambientais da gestão Lula, propõe que, a partir de 2012, a frota de ônibus, caminhões e automóveis movidos a diesel sejam abastecidos com o mesmo padrão do combustível que a Europa adotará em 2009.
O atraso na adaptação do combustível e dos veículos poderia representar a emissão de mais de 84 mil toneladas extras de poluentes na atmosfera entre 2009 e 2011, segundo cálculo feito pela Petrobras.
Ministério
O então secretário do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, assumiu o ministério no dia 27 de maio deste ano.
Marina Silva, sua antecessora, pediu demissão alguns dias antes em carta ao presidente Lula, na qual atribuiu sua saída a dificuldades na condução da agenda ambiental.
Marina, cuja reputação internacional era o principal trunfo do governo na área ambiental, perdera o apoio de Lula para implementar medidas mais duras contra o desmatamento.
Lula havia entrado em choque com a ex-ministra em diversas ocasiões. O desentendimento mais grave ocorreu no ano passado, quando o presidente e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reclamaram da lentidão do Ibama (subordinado a Marina) para conceder licenças para as hidrelétricas do rio Madeira. Lula também decidiu entregar a coordenação do PAS (Plano Amazônia Sustentável) ao ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, alegando que Marina não tinha "isenção".
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