Ambiente
11/05/2009 - 08h04

Prefeito é dono de casa e hotel dentro de território em disputa em Itatiaia

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AFRA BALAZINA
enviada especial da Folha de S.Paulo a Itatiaia (RJ)

Um dos mais ilustres habitantes do Parque Nacional do Itatiaia --proprietário de uma residência e dono do hotel Ypê, ambos dentro da unidade de conservação-- é o prefeito de Itatiaia. Luiz Carlos Bastos, que se elegeu com o nome Luiz Carlos Ypê (PP), diz que só há duas formas de resolver a questão fundiária local: desapropriar e pagar quem mora na parte baixa do parque ou simplesmente exclui-la do mapa da unidade.

Leia também: União estuda reduzir parque do Itatiaia, no Rio

Segundo ele, isso não causaria degradação porque os moradores têm consciência ambiental. "Em dezembro deste ano completo 50 anos dentro do parque", diz. "Sempre procurei ser parceiro."

Lalo de Almeida/Folha Imagem
Chalés do Hotel Ypê em área do Parque Nacional do Itatiaia; estabelecimento pertence ao prefeito da cidade, Luiz Carlos Bastos
Chalés do Hotel Ypê em área do Parque Nacional do Itatiaia; estabelecimento pertence ao prefeito da cidade, Luiz Carlos Bastos

A proposta de reduzir o parque foi lançada pela AAI (Associação Amigos do Itatiaia). Segundo ela, caso esse plano dê errado, há receio de o governo não pagar devidamente a indenização pelas desapropriações.

"Seremos fiscais terríveis se houver desapropriação. Verificaremos se as construções serão derrubadas, onde vão colocar o entulho", afirma Heizer. "Da mesma forma, se o parque for desmembrado, eles [críticos da AAI] também devem se tornar rígidos fiscais."

Segundo a presidente da entidade, a maior parte do ex-núcleo colonial se tornou parque só em 1982. Se isso for confirmado, mais pessoas teriam direito à indenização, pois não teriam chegado ao parque como invasoras. No entanto, um mapa do ICMBio mostra que a área já estava demarcada como sendo do parque em 1937.

Outra preocupação da AAI é que a polêmica sobre a demarcação do parque fez os preços dos imóveis na área caírem. Uma propriedade que valia R$ 400 mil, segundo Heizer, já foi vendida por R$ 100 mil.

Bastos, o prefeito, diz que o antigo núcleo colonial foi quem iniciou a recuperação da mata na região, degradada pela criação de gado. Como justificativa para reduzir o parque, ele afirma que o local já tem feições urbanas. "Lá tem linha de ônibus regular, recolhimento de lixo, transporte escolar, rede elétrica", diz. O prefeito afirma que o parque não gera receita para a cidade, só encargos, e que as casas e hotéis na parte baixa geram cerca de 200 empregos.

Guerra de assinaturas

A polêmica proposta de redução do parque gerou dois manifestos. O "Manifesto pelo integridade do parque nacional do Itatiaia", lançado em novembro passado pelo Mosaico da Mantiqueira, entidade ligada às unidades de conservação da região, defende a manutenção da área atual do parque e obteve 1.986 assinaturas. Em janeiro, a AAI apresentou seus argumentos na "Proposta para Regularização Fundiária do Núcleo Colonial Itatiaya", que tem 1.111 assinaturas.

 

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