Apesar do G8, países em desenvolvimento permanecem céticos sobre acordo climático
da Reuters, L'Aquila
O G8 (grupo dos sete maiores economias do mundo e a Rússia) concordou nesta quarta-feira (8) em tentar limitar o aquecimento global em 2ºC e cortar as emissões de dióxido de carbono em até 80% até 2050, mas fracassou em persuadir China e Índia a adotarem medidas semelhantes. A medida foi adotada durante reunião do G8 em L'Aquila, centro da Itália.
A decisão foi tomada apenas cinco meses de uma convenção da ONU (Organização das Nações Unidas) em Copenhague, em que se espera chegar a um acordo sobre o clima que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Organizações ambientais afirmam que o G8 deixou muito trabalho a ser feito e se esquivou em questões importantes.
A temperatura média do planeta já cresceu 0,7ºC desde a revolução industrial, há cerca de 150 anos, em razão do aumento no uso dos combustíveis fósseis.
China e Índia resistem a se comprometer com uma meta global de redução de emissões para 2050 --países em desenvolvimento pedem que as nações ricas adotem objetivos mais no curto prazo. E, apesar de essas metas terem sido adotadas pela primeira vez por Estados Unidos, Rússia, Japão e Canadá, já haviam sido estabelecidas por países da União Europeia há mais de uma década.
O G8 também não estabeleceu um ano-base para essa redução de 80% das emissões --afirma apenas que a comparação é "entre 1990 ou anos mais recentes", o que significa que a meta está sujeita a interpretações. O grupo também apoiou a criação de um mercado de créditos de carbono e um fundo financiado pelos países ricos para financiar esse tipo de tecnologia, mas o valor é menor que os US$ 100 bilhões defendidos pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e organizações ambientalistas.
"Apesar de ter concordado em manter o máximo do aumento de temperatura em 2ºC, sem um plano claro, recursos e metas sobre como fazer isso, os líderes do G8 não vão ajudar a resolver o impasse nas negociações sobre clima na ONU", afirma Tobias Muenchmeyer, conselheiro do Greenpeace para política internacional.
Nesta quinta-feira, um grupo dos 17 principais emissores globais de gases do efeito estufa se reúne, durante a cúpula do G8, para tentar destravar as negociações. Delegados afirmam que a ausência do líder chinês Hu Jintao, que voltou a seu país em razão de conflitos internos, deixa menos espaço para um acordo.
"A China não está lá, então eles não podem ir a lugar algum: não haverá acordo amanhã. Isso nos levará novamente a uma reunião do G20 (principais países desenvolvidos e em desenvolvimento) quando a China estiver presente", afirmou um delegado envolvido nas negociações.
- Manifestações contra cúpula do G8 voltam a agitar Itália
- Líderes do G8 apontam "sinais de estabilização" na economia global
- Obama aproveita G8 para pedir diálogo com Irã e Coreia do Norte
Leia mais sobre Ambiente
- Londres quer influência de países latinos em acordo sobre clima
- Satélites da Nasa indicam redução de camada de gelo do Ártico
Especial
Livraria

