Ambiente
20/10/2009 - 08h41

Gordon Brown prevê "catástrofe" caso Copenhague falhe

Publicidade

LUCIANA COELHO
da Folha de S.Paulo, em Genebra

Gordon Brown fez ontem um discurso soturno para pedir ação urgente e cortes maiores nas emissões de gases-estufa sob pena de que o mundo enfrente uma "catástrofe". O premiê britânico também exortou seus colegas a comparecerem em dezembro à cúpula do clima em Copenhague, que deve selar um novo acordo sobre o tema.

O próprio Reino Unido carece de propostas sobre o financiamento do corte de emissões nos países mais pobres --uma das questões-chave de Copenhague--, apesar do chamado de Brown ontem no Fórum das Grandes Economias. O grupo reúne os 17 países responsáveis por 80% dos gases do efeito estufa (Brasil incluso).

Kirsty Wigglesworth -19.out.09/AP
Gordon Brown fala durante reunião em Londres ontem; discurso soturno indicou que falha em Copenhague resultará em "catástrofe"
Gordon Brown fala durante reunião em Londres ontem; discurso soturno indicou que falha em Copenhague resultará em "catástrofe"

"Temos de progredir especialmente em financiamento", disse Brown. "Isso requer que os países desenvolvidos apresentem ofertas e que aqueles em desenvolvimento apresentem planos e ações, compromissos práticos que ambos temos de fazer e manter."

O premiê afirmou ontem ter posto em discussão um pacote de propostas sobre como organizar o financiamento, que poderia chegar a US$ 100 bilhões anuais em fundos públicos e privados até 2020.

Emergentes e países desenvolvidos estão em um cabo de guerra sobre os custos da redução das emissões nos segundos e a quem cabe o ônus maior.

"Vamos enfrentar restrições e desafios políticos enormes. E o primeiro passo -que devemos dar aqui neste fórum- é reconhecer isso e determinar que as barreiras precisam ser superadas", declarou Brown.

O britânico afirmou que será necessário um corte de emissões maior do que o que aquele que os países da União Europeia e o Japão já ofereceram para 2020, que reduziria as atuais 50 bilhões de toneladas de gases emitidos para cerca de 48 bilhões. Para Brown, seria necessário chegar a 44 bilhões.

"Se não alcançarmos um acordo nos próximos dias [...] não haverá acordo retrospectivo futuro que desfaça essa escolha [pela inação]", disse o premiê. "Então será irrecuperavelmente tarde demais, e por isso não podemos perder de vista a catástrofe que enfrentaremos se as atuais tendências de aquecimento se mantiverem."

Mas o líder britânico se disse esperançoso de que o acordo seja selado, o que contrastou com o tom geral da reunião.

O representante dos EUA, Todd Stern, voltou a exortar as nações emergentes a conterem suas emissões --estas, por sua vez, esperam cortes maiores e dinheiro dos países ricos, que poluem mais há mais tempo.

Stern afirmou que é "certamente possível" que não saia acordo nenhum em Copenhague. "O que precisávamos era que a China, a Índia, o Brasil, a África do Sul tivessem vontade para pegar o que já estão fazendo [em termos de proposta], aumentar um pouco e então pôr isso em um acordo."

O Brasil ainda não apresentou sua meta oficial, mas o presidente Lula tem dito que ela seria "ambiciosa" e teria um papel de liderança no combate ao aquecimento.

Comentários dos leitores
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 20h23
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 20h23
Acabei de ler na Revista Veja na casa de um meu amigo, uma reportagem em que lá pelas tantas diz assim : O BRASIL PASSA AGORA PELO SEU MELHOR MOMENTO NOS ÚLTIMOS 30 ANOS. Que isso ? Já vai se entregar assim de vez ? Um aviso. Assim sendo, dentro de algum tempo voce poderá topar na banca com uma nova revista, que se chamará IN.VEJA. sem opinião
avalie fechar
Olmir Antonio de Oliveira (58) 26/11/2009 18h56
Olmir Antonio de Oliveira (58) 26/11/2009 18h56
A respeito de material cancerigênos, refrigerantes, boa inciativa, creio que seja de intenção para o bem publíco. Mas em relação ao bolso do consumidor, não esta protegido, multinacional em relatórios dizem ter aumentado significativamente suas margens, seus lucros, referencias inclusive em relação ao Brasil, produtos mais caros para o consumidos, mas não dizem nada, não fazem nada para melhoria da qualidade em beneficio do consumidor, só percentuis de aumento de ganhos. Outras ações que poderiam atuar seria na preservação da fontes de recursos naturais, onde obtem água, em relação ao meio ambiente, a vegetação, preservação, reflorestamento..... sem opinião
avalie fechar
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 18h50
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 18h50
Alexandre Bakunin, voce é um genio que a humanidade ainda há de descobrir. A sua sapiencia é digna de um Premio Nobel. Aguarde uma correspondencia que virá lá da Suécia. 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (111)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca