Ambiente
23/10/2009 - 09h07

Biocombustível será bom para o clima, indica simulação

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RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo

O medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja um tiro pela culatra no combate ao aquecimento global não tem muito fundamento, indica um novo estudo. Simulando um futuro em que os combustíveis fósseis seriam substituídos, pesquisadores concluíram que o cenário mais provável é um em que álcool e biodiesel possam mesmo ajudar a evitar emissões de gases do efeito estufa.

O novo trabalho, publicado pela revista "Science", indica que a atual política para uso da terra com biocombustíveis está no caminho certo, mas alerta que uma mudança poderia provocar, sim, efeitos indesejáveis.

Luiz Carlos Murauskas -17.set.09/Folha Imagem
Medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja fracassada no combate ao aquecimento não tem fundamento, diz estudo
Medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja fracassada no combate ao aquecimento não tem fundamento

Liderado por Jerry Melillo, do Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole (EUA), o trabalho mostra, primeiro, um cenário pessimista. Efeitos "indiretos" da ampliação de produção de biocombustíveis seriam capazes de emitir até duas vezes mais CO2 que o uso direto de terras para plantar vegetais necessários ao produto.

Isso ocorrerá se pastagens desalojadas para a produção de cana, por exemplo, restabelecerem-se em áreas de floresta, provocando desmatamento. O uso irrefreado de fertilizantes nitrogenados também seria nocivo por produzir óxido nitroso, um gás de efeito estufa.

A relação entre agricultura e ambiente observada nos últimos dez anos, porém, aponta para um caminho diferente. Segundo os pesquisadores, a tendência é que as políticas antidesmatamento atuais, mesmo longe de ser perfeitas, consigam dar conta de frear esse problema. Biocombustíveis, nesse caso, têm vantagem inquestionável sobre petróleo, pois plantas absorvem CO2.

"Se as coisas continuarem como são hoje, vão gerar o que está no segundo caso, mais otimista", diz Angelo Gurgel, economista da USP que participou do estudo. "Mas, se a pressão por bioenergia e alimentos for grande a ponto de os governos flexibilizarem a proteção ambiental, o cenário muda."

O modelo matemático da simulação de Gurgel e colegas é possivelmente o mais completo já usado para ver o impacto dos biocombustíveis na mudança do uso de terra. Seu resultado otimista, com alguma surpresa, contrariou projeções sombrias obtidas por outros.

Esse tipo de simulação vinha sendo criticado por cientistas como José Goldemberg, também da USP, pioneiro do planejamento econômico para o álcool. "Um modelo geral para o mundo não se aplica em situações particulares, como a do Brasil", diz o cientista. Um dos problemas, explica, é que o álcool de cana brasileiro produz muito mais energia por área cultivada do que o álcool de milho americano, por exemplo.

O trabalho de Gurgel, porém, evita isso ao se esquivar do debate sobre quais vegetais são melhores. "No longo prazo, o mercado vai selecionar naturalmente aqueles que tiverem potencial", afirma.

O medo de que a valorização de terras viáveis para essas plantas as façam "empurrar" o gado para cima da floresta, diz, também não parece ter muita sustentação. Segundo Gurgel, porém, será preciso reforçar no futuro os mecanismos que, por enquanto, impedem isso.

Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (62) 28/11/2009 14h08
Olmir Antonio de Oliveira (62) 28/11/2009 14h08
A Respeito de desmatamento, e de reflorestamento no Pará. È bom sinal estarem fazendo metas e reflorestado, mas poderiam certamente fazer muito mais e melhor usando espécies nativas, também de ciclo curto e pontecialmente grandes geradoras de receitas, empregos e de sistema de industrialização para diversos produtos. Do etanol, biodiesel, bioquerozene, e óleos para outros fins. A Floresta nativa possui variedade de tipos de palmeiras, podendo se extrair de seus frutos diversos itens, inclusive alimenticios, e outras árvores que produzem óleo, inclusive já aproveitados minimamente na industrialização atual, poderiam produzir novos produtos. Se implantada um florestamento mesclado, consorciado, poderiam usar muitas espécies, e ou até incluir, cacau, cupuaçú.....castanheiras....... Quanto a margens de rios, lagos deveria se dar regras claras para se implantar o ampliar as "matas ciliares", algo parecido com meia duzia de vezes maiores aos adotados em estados do sul, que posuem por via de regra uma faixa que atende minimamente a sobrevivencia da biodiversidade e penaliza itens da maior importancia. Demoraram muito para iniciar a recomposição vegetal, mas pelo visto só estão fazendo para atender o interesse de alguns produtores de itens de exportação. Bom sinal em termos de manter o solo com cobertura vegetal, reteção de carbono e de águas. No visto e por organizado do governo local esta faltando aprofundar nos estudos e na quantidade de plantios.... sem opinião
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alexandre bakunin (127) 28/11/2009 08h54
alexandre bakunin (127) 28/11/2009 08h54
marcio B. (47) 27/11/2009 01h43
Gafanhoto, há um erro neste seu raciocínio, pois a Terra não é um sistema fechado. As causas das mudanças climáticas são siderais, exógenas; pouca ou nenhuma interferência tem o cerumanu.
Imagine você tomando água de coco e sol em Ipanema (Ipanema não, ficou demodê depois dos apagões). Aí eu pego um espelho, um espelhão e
começo a refletir o sol em você. Quase que dobro a insolação sobre sua pele. Você começa a sentir calor e atribui ao fato do protetor solar ter perdido efeito. Então passa um fator 60. Aí você arruma um
"chapa" que fique te abanando. Pensa, Marcio, você está procurando interferir nos efeitos do problema e não nas causas. Imagine que o Sol está agora queimando um combustível mais porreta, eucalipto vermelho, por exemplo.
Outra falácia é este cálculo estequiométrico das toneladas de carbono. Isso é conversa mole que os banqueiros inventaram para vender os "créditos de carbono". Coisa de sociólogo do PSDB com copo de uísque 12 anos na mão ouvindo Dick Farney no Nick bar.
O fato é que a água está subindo e não haverá diques que preservem os ingleses e holandeses. Recife também está na lista.
Bom fim de semana a todos.
sem opinião
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Cristina A. (1) 27/11/2009 15h11
Cristina A. (1) 27/11/2009 15h11
Além de pintar o telhado de branco, as pessoas podem plantar árvores. No 156, a pessoa pode fazer até 3 pedidos de plantio em área pública apenas e depois de plantadas pode-se fazer outros. O serviço não é divulgado pela prefeitura, mas tem. Guardar a água usada da máquina de lavar em tambores ajuda. Sistemas de aquecimento de água, captadores de água de chuva, reciclar os materiais usados em casa. As lâmpadas fluorescentes têm mercúrio e não devem ser colocadas nas calçadas, pois eles são tóxica e causam câncer. Se for colocada junto com o lixo comum esse mercúrio vai poluir a natureza, os mananciais e toda a cadeia alimentar. Os lixeiros são os primeiros a sofrer, pois a prefeitura as recolhe junto com o lixo comum, além de não ter uma política de conscientização do povo e do recolhimento correto das mesmas. Existem lojas que as recebem, são: D & D, C & C, Leroy Merlin e Dominici. Precisamos destinar o que usamos para os locais corretos. Ao reciclar, se evita que os aterros acabem logo, conserva-se recursos naturais que seriam usados para fazer um produto novo, economiza energia e água, já que a água é usada para a fabricação de novos produtos também. As pessoas precisam cobrar o prefeito para que ele regularize na cidade o descarte de lâmpadas fluorescentes. A responsabilidade pode ser dividida com a prefeitura e as pessoas que ganham dinheiro com o comércio das mesmas - importadores e lojas. Cada um é responsável pelo que usa e como o destina. sem opinião
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