Biocombustível será bom para o clima, indica simulação
RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo
O medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja um tiro pela culatra no combate ao aquecimento global não tem muito fundamento, indica um novo estudo. Simulando um futuro em que os combustíveis fósseis seriam substituídos, pesquisadores concluíram que o cenário mais provável é um em que álcool e biodiesel possam mesmo ajudar a evitar emissões de gases do efeito estufa.
O novo trabalho, publicado pela revista "Science", indica que a atual política para uso da terra com biocombustíveis está no caminho certo, mas alerta que uma mudança poderia provocar, sim, efeitos indesejáveis.
| Luiz Carlos Murauskas -17.set.09/Folha Imagem |
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| Medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja fracassada no combate ao aquecimento não tem fundamento |
Liderado por Jerry Melillo, do Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole (EUA), o trabalho mostra, primeiro, um cenário pessimista. Efeitos "indiretos" da ampliação de produção de biocombustíveis seriam capazes de emitir até duas vezes mais CO2 que o uso direto de terras para plantar vegetais necessários ao produto.
Isso ocorrerá se pastagens desalojadas para a produção de cana, por exemplo, restabelecerem-se em áreas de floresta, provocando desmatamento. O uso irrefreado de fertilizantes nitrogenados também seria nocivo por produzir óxido nitroso, um gás de efeito estufa.
A relação entre agricultura e ambiente observada nos últimos dez anos, porém, aponta para um caminho diferente. Segundo os pesquisadores, a tendência é que as políticas antidesmatamento atuais, mesmo longe de ser perfeitas, consigam dar conta de frear esse problema. Biocombustíveis, nesse caso, têm vantagem inquestionável sobre petróleo, pois plantas absorvem CO2.
"Se as coisas continuarem como são hoje, vão gerar o que está no segundo caso, mais otimista", diz Angelo Gurgel, economista da USP que participou do estudo. "Mas, se a pressão por bioenergia e alimentos for grande a ponto de os governos flexibilizarem a proteção ambiental, o cenário muda."
O modelo matemático da simulação de Gurgel e colegas é possivelmente o mais completo já usado para ver o impacto dos biocombustíveis na mudança do uso de terra. Seu resultado otimista, com alguma surpresa, contrariou projeções sombrias obtidas por outros.
Esse tipo de simulação vinha sendo criticado por cientistas como José Goldemberg, também da USP, pioneiro do planejamento econômico para o álcool. "Um modelo geral para o mundo não se aplica em situações particulares, como a do Brasil", diz o cientista. Um dos problemas, explica, é que o álcool de cana brasileiro produz muito mais energia por área cultivada do que o álcool de milho americano, por exemplo.
O trabalho de Gurgel, porém, evita isso ao se esquivar do debate sobre quais vegetais são melhores. "No longo prazo, o mercado vai selecionar naturalmente aqueles que tiverem potencial", afirma.
O medo de que a valorização de terras viáveis para essas plantas as façam "empurrar" o gado para cima da floresta, diz, também não parece ter muita sustentação. Segundo Gurgel, porém, será preciso reforçar no futuro os mecanismos que, por enquanto, impedem isso.
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Gafanhoto, há um erro neste seu raciocínio, pois a Terra não é um sistema fechado. As causas das mudanças climáticas são siderais, exógenas; pouca ou nenhuma interferência tem o cerumanu.
Imagine você tomando água de coco e sol em Ipanema (Ipanema não, ficou demodê depois dos apagões). Aí eu pego um espelho, um espelhão e
começo a refletir o sol em você. Quase que dobro a insolação sobre sua pele. Você começa a sentir calor e atribui ao fato do protetor solar ter perdido efeito. Então passa um fator 60. Aí você arruma um
"chapa" que fique te abanando. Pensa, Marcio, você está procurando interferir nos efeitos do problema e não nas causas. Imagine que o Sol está agora queimando um combustível mais porreta, eucalipto vermelho, por exemplo.
Outra falácia é este cálculo estequiométrico das toneladas de carbono. Isso é conversa mole que os banqueiros inventaram para vender os "créditos de carbono". Coisa de sociólogo do PSDB com copo de uísque 12 anos na mão ouvindo Dick Farney no Nick bar.
O fato é que a água está subindo e não haverá diques que preservem os ingleses e holandeses. Recife também está na lista.
Bom fim de semana a todos.
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