Ambiente
03/11/2009 - 08h56

Brasil pode cortar 35% de CO2, diz estudo

Publicidade

CLAUDIO ANGELO
editor de Ciência da Folha de S.Paulo

O Brasil pode cortar 35% de suas emissões de gases-estufa em relação à trajetória atual até 2020. É o que indica um estudo preliminar, que será apresentado hoje em Brasília ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao qual a Folha teve acesso.

O cálculo foi feito a pedido do Ministério da Ciência e Tecnologia pela Rede Clima, um grupo ligado à pasta que reúne pesquisadores do país inteiro.

Ele embasa em parte a proposta do ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) de cortar até 40% das emissões do país em relação ao cenário tendencial.

Arte/Folha Imagem

Lula deve definir hoje a meta de desvio da trajetória de emissões que o Brasil apresentará na conferência do clima de Copenhague, em dezembro.

Há duas opções na mesa. Uma prevê só a redução de 80% no desmate na Amazônia até 2020; isso daria um total de desvio de cerca de 26%, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Minc tem apostado num número mais alto, de 30% a 40%, que preveja reduções em vários setores da economia. Mas enfrenta resistências do Itamaraty e da Ciência e Tecnologia - pasta que discordou do cálculo feito por Minc e pediu a nova estimativa à Rede Clima.

Embora não endosse a proposta de Minc, o estudo mostra como cortar emissões de carbono em seis setores da economia: energia, biocombustíveis, agricultura, reflorestamento, desmatamento no cerrado e desmatamento na Amazônia. No total, seria possível abater de 887 milhões a 1,041 bilhão de toneladas de CO2 até 2020.

Para o setor de agricultura, ele dá inclusive uma estimativa do custo da redução: R$ 40 bilhões em dez anos, a serem empregados em recuperação de 11 milhões de hectares em pastagens, entre outras ações.

"É uma estimativa preliminar, que mostra que o Brasil tem potencial de redução em vários setores", disse o climatologista Carlos Nobre, do Inpe, coordenador da Rede Clima.

Só com a expansão dos biocombustíveis, avalia o estudo, há potencial de evitar a emissão de até 50 milhões de toneladas de CO2 por ano.

Reduzindo o desmatamento no cerrado, o país poderia poupar outros 121 milhões de toneladas de gás carbônico por ano, indicam projeções de Mercedes Bustamante (Universidade de Brasília) e Laerte Ferreira (Universidade Federal de Goiás). Isso considerando uma redução de 80% na taxa de desmatamento nos 18% da área total do bioma (ou 360 mil quilômetros quadrados, o equivalente a uma Alemanha) que ainda estão disponíveis para a expansão da agropecuária.

Pressão

Em Barcelona, onde começou ontem a última reunião diplomática preparatória para Copenhague, as ONGs pressionaram o governo brasileiro por conta da reunião de hoje, que deve definir a meta.

"É uma oportunidade para o presidente Lula entrar para a história como herói ou vilão", afirmou Gaines Campbell, da Vitae Civilis. "Se o Brasil recuar, outros farão o mesmo."

Paulo Adário, do Greenpeace, fez referência às propostas em discussão no Congresso e no governo para enfraquecer o Código Florestal, anistiando o desmatamento -ao mesmo tempo em que o país se prepara para assumir um compromisso internacional de reduzi-lo.

"Lula precisa mostrar não só liderança externa como também interna", afirmou.

Colaborou ROBERTO DIAS, em Barcelona

Comentários dos leitores
alexandre bakunin (242) 23/12/2009 08h15
alexandre bakunin (242) 23/12/2009 08h15
licinia albuquerque (148) 22/12/2009 17h29
Enquanto isso.....há algo de podre no reino (da Dinamarca)??????????
~~~~~~~~~~
É isso mesmo, Licínia. Os governantes mundiais, sob pretexto de controlar o clima, estão fazendo uma "vaquinha" para a construção do novo canal do Panamá.
Mesmo que minha presunção seja falsa, ainda restará a incongruência, pois os supostos líderes mundiais estão nada mais nada menos que fazendo a tabela de preços da venda de indulgências para criação de um fundo para "cuidar" do clima, como fulminou o colega Martin Lutero dias atrás.
Pensamento do dia:
Eu não sou cachorro nããão (Valdick Soriano)
sem opinião
avalie fechar
alexandre bakunin (242) 22/12/2009 19h59
alexandre bakunin (242) 22/12/2009 19h59
Kreuss Kroveitoiks (1) 22/12/2009 00h37
Louvo sua atitude e cumprimento-o pela sua primeira pauta, Kreuss.
Mas há um erro de perspectiva que permito-me expor.
1) Sacolas plásticas. Não creio que os super-mercados permitam que você entre com elas
no recinto. Mas vamos supor que sim. Aí temos o problema da praticidade do seu uso ao
permitir separar suas compras segundo o tipo, otimizar o transporte, reutilização do
saquinho na cestinha de lixo da cozinha e do banheiro. Se eliminassemos 100% dos sacos
plásticos de supermercado ainda restariam 97% do polietileno de baixa densidade
fabricado no Brasil nos seus mais diversos usos, como lona plástica (E o MST?),
embalagem tipo tetra-pac, brinquedos, etc. Isso sem falar no PVC, que é mais deletério
do que o politileno de baixa densidade. Nem vou falar nas garrafas PET !
2) Bicicleta. Nosso relevo é brabo, Kreuss; só os jóvens tem o pique para subir uma
ladeira; você precisaria poder tomar um banho ao chegar ao escritório; a falta de infra
estrutura urbana, o calor e a falta de respeito com o bem alheio.
3) Carro. Persegui-lo é dar murro em ponta de faca, uma vez que os governos locais
endeusam o automóvel a mais não poder. Você pode ir preso se comprometer esta
indústria. O presidente da república esta fazendo um alarde enorme do pré-sal.
Mas temos que começar a poupar o planeta.
Nesta mensagem foram usados exclusivamente eletrons reciclados !
sem opinião
avalie fechar
licinia albuquerque (148) 22/12/2009 17h29
licinia albuquerque (148) 22/12/2009 17h29
O governo brasileiro deveria era ficar mais em casa para tentar resolver os problemas existentes aqui. Deixar de gastar o dinheiro público para passeios e férias. Governante que quer diminuir a emissão de gases no seu território o faz por iniciativa própria, sem acordo mesmo. Não foram debater somente sobre clima??? Claro que não. Ou será que alguém aqui pensa que esse povo todo, que foi com o Lula prá Copenhagen, está mesmo preocupado com problema climático??!!! O mais interessante de tudo é que os da delegação foram, sem prejuízo aos seus altos salários mensais. Por portarias. Enquanto isso.....há algo de podre no reino (da Dinamarca)?????????? 6 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (460)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca