UE propõe esticar negociação até 2010 e irrita países pobres
ROBERTO DIAS
da Folha de S.Paulo, em Barcelona
Ganhou corpo ontem, no penúltimo dia da reunião em Barcelona, a ideia de estender além do final da reunião de Copenhague boa parte da atual rodada de discussões sobre o clima.
Segundo a proposta, alimentada pelos países europeus, seria feito um "acordo político" na Dinamarca, e as negociações continuariam por mais três ou seis meses. Uma das razões para isso seria ter mais tempo para atrair os EUA para um acordo obrigatório, esperando o trâmite do pacote ambiental pelo Congresso americano.
Primeiro problema: sucessivos diplomatas demonstraram descontentamento nesta semana com o que entendem por "acordo político", uma espécie de compromisso moral, algo que consideram muito frágil.
"Vocês conhecem algum político que cumpra suas promessas? Só há acordos de obrigação legal", afirmou o sudanês Lumumba Di-Aping, que fala em nome do G77, bloco dos países em desenvolvimento.
"O Brasil quer um acordo robusto, não quer um acordo político, quer um acordo real. Há muito investimento político feito", disse o chefe da delegação brasileira, Luiz Alberto Figueiredo Machado.
A dificuldade de sintonizar a política doméstica americana com a negociação internacional está longe de ser a única razão para prorrogar a rodada.
Falta ainda acordo sobre os dois pontos mais importantes da negociação em si: quanto cada país vai se comprometer a reduzir de suas emissões de gases-estufa e quanto dinheiro os países ricos vão destinar a ações climáticas dos pobres.
Abaixo da média
E é no ponto das metas climáticas que se encaixa o segundo e gigantesco problema: a discussão dos países ricos não entrou ainda na faixa que a ciência define como necessária para evitar grandes catástrofes ambientais, conforme reconheceu ontem o próprio secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, Yvo de Boer.
O estudo atualmente usado como maior referência pelos negociadores diz que o mundo desenvolvido precisa reduzir até 2020 suas emissões de gases-estufa a um nível entre 25% e 40% inferior ao de 1990.
Muito da expectativa sobre o que poderá sair em Copenhague repousa agora na lista de chefes de Estado presentes. Lula deverá convidar seu colega americano, Barack Obama, para viajar à Dinamarca. Mas ele mesmo condiciona sua ida a um "quorum" de líderes.
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Considerando que o Lula criticava o Fernando Henrique por viajar demais e no primeiro ano do primeiro mandato viajou o dobro, não me admira o governo ser a Brasiltur.
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Utilizamos o pior óleo diesel do mundo, temos gasolina de qualidade inferior.O álcool polui muito também--apesar de ser menos qua a nossa gasolina.
Possuimos uma frota de automóveis/caminhões velhos e altamente poluidores.Não existe nenhuma politica de redução de amissões dos veiculos auto-motores.
Acho a proposta um delirio de lunático.
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