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11/12/2009 - 15h24

Pecuária bovina gera ao menos 50% do gás-estufa do Brasil, mostra estudo

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RAFAEL GARCIA
da Folha de S. Paulo
LUCIANA COELHO
enviada especial da Folha de S. Paulo a Copenhague

Pelo menos metade das emissões brasileiras de gases do efeito estufa é causada pela pecuária bovina, indica um estudo interdisciplinar divulgado nesta quinta-feira (10).

A maior parte do problema se deve ao desmatamento para abrir pastagens na Amazônia e no Cerrado, afirma o trabalho, mas a fermentação entérica do gado (metano exalado pelos bois) e as queimadas nas áreas de pastagem dão uma dimensão maior ao problema.

Rogério Cassimiro/Folha Imagem
Churrasco em São Félix do Xingu, no Pará, campeão no desmate; pecuária bovina gera ao menos 50% do gás-estufa do Brasil
Churrasco em São Félix do Xingu, no Pará, campeão no desmate; pecuária bovina gera ao menos 50% do gás-estufa do Brasil

O estudo, divulgado ontem em São José dos Campos no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais), será objeto também de apresentação na conferência do clima de Copenhague.

O plano de corte de emissões que a delegação do país leva ao encontro, porém, não tem uma abordagem específica para cuidar dos bois.

O problema, claro, já era conhecido, mas é a primeira vez que uma pesquisa compila as informações para medir o impacto particular da pecuária nas emissões.

"Se você desmata o cerrado e a mata amazônica para criar bois, aquele desmatamento está associado à pecuária", diz Carlos Nobre, do Inpe, um dos líderes do estudo.

Valores conservadores

Segundo o trabalho, a pecuária é responsável em média por 75% do desmate na Amazônia e 56% no Cerrado. A estimativa se refere ao período de 2003 a 2008.

No último ano, a emissão total de gases-estufa pela pecuária nacional foi equivalente a 813 milhões de toneladas de CO2. Em 2003, sob desmatamento maior, era de 1,1 bilhão.

Segundo um dos autores do estudo, Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra, os valores podem parecer altos, mas são conservadores.

"Aspectos da emissão de gases-estufa do solo por conta de degradação de pastagens, de transporte do gado e do uso de energia pelos frigoríficos não entraram nesta conta", afirma. "Vamos avaliar isso depois."

Editoria de Arte/Folha Imagem

Sem planos

Indagado sobre o resultado do estudo, o embaixador extraordinário do Brasil para clima, Sérgio Serra, afirmou que ele não é tratado dentro da proposta brasileira de redução de emissões.

O plano apoia-se majoritariamente na coibição do desmatamento --sem discriminar quem está desmatando-- e prevê ações no setor agrícola, mas em nenhum dos dois pontos a pecuária é abordada como uma questão específica.

"No plano nacional da mudança do clima do qual emanou essa política nacional que foi aprovada agora no Congresso, ela [política pecuária] deve até entrar em algum detalhamento", disse Serra em Copenhague. "Mas não está nesse pacote que estamos oferecendo aqui. Não há um acordo específico."

Questão nacional

Para Gilberto Câmara, diretor do Inpe, mitigar as emissões resultantes da criação de gado não cabe à conferência, mas ao país. "Acho que em nenhum outro lugar o desmatamento é associado com a pecuária tanto quanto no Brasil", disse.

A revelação do peso da pecuária nas emissões brasileiras é uma má notícia do ponto de vista comercial, uma vez que o gado brasileiro já enfrenta restrições não tarifárias para entrar em mercados externos. Países europeus que assumirão meta de corte de emissões podem querem taxar a entrada de carne brasileira, já que vão arcar com o ônus da mitigação.

A depender do resultado de Copenhague, porém, o Brasil sairá em vantagem. Com mecanismos que atribuam valor ao carbono que um pecuarista deixa de emitir (ao evitar desmatar ou ao mudar a dieta do gado), um país rico poderia "comprar" essa emissão.

Ainda não está claro como fazer isso, mas o potencial é grande. "O custo das emissões de carbono por unidade de produto [a carne] supera o próprio custo do produto no atacado", diz Smeraldi.

Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (124) 31/01/2010 17h59
Olmir Antonio de Oliveira (124) 31/01/2010 17h59
A respeito de fundo para ajudar países pobres. É de se crer se derem condições de moradias dignas as pessoas já estarão ajudando em muito a preservação, principalmentese derem meios de susbsistencia, que possam usar combustível menos poluente e ou fonte renovavel (uso para queima, fogão, pobres de verdade de paises pobres não tem carro particular), geralmente recebem, se é quere cebem, são tratados pior que "muitas espécies de animais". O que pode preocupar é que 100 bilhões, é um bom dinheiro, mas que pode ser pouco se cair na mão de políticos, oportunistas, e picaretas de plantão existentes no mundo afora, pode virar mais muita fumaça, demagogia, mais contas e impostos para o trabalhador pagar..... Solução apenas para encher o bolso de meia dúzia, certamente já deve ter super poderosos preparados para embolsar a grana, papo de ajuda, filantropia, projetos... É preciso zelo, honestidade... 2 opiniões
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eduardo de souza (635) 31/01/2010 15h49
eduardo de souza (635) 31/01/2010 15h49
Fazer dinheiro sem dinheiro e de quebra, enforcar a juros altos uma nação e suas riquezas naturais.
Os bancos produzem 1 trilhão em papel impresso em cima de papel emitido pelo governo, ficam com 10% logo de início, 100 bilhões, pegam essa porcaria que não existe e passa à frente resgatando em troca as riquezas naturais.
Um bando de safados colocou em risco a vida toda de um planeta por um papel impresso combinado com inteligência e falta de caráter.
9 opiniões
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Rubens Junior Moreno Rubio (88) 30/01/2010 19h40
Rubens Junior Moreno Rubio (88) 30/01/2010 19h40
oi, caros leitores, toda vez que os gls, publicam essas falsas teorias, o que já foi provado pelo climagate, me vejo com a burrice atinge a todos, vejo hoje os ambientalistas, como foi na alemanha da segunda guerra, para não ofender, ou como os comunistas, a amazonia, é o futuro da agricultura e da pecuária, tem um indice de produtividade enorme, uma pecuária de ponta, e para nós obras nada, financiamento nada, por culpa do meio ambiente, a burocracia que nos obrigam, tudo isto é para entregar a amazonia aos gls americanos, ou seus exercitos, hoje não adianta ser homem, é melhor ser gls, e gritar na frente do palácio do planalto para proteger a floresta, mas fomos incentivados a vir aqui a produzir aqui, antes eramos pioneiros hoje somos bandidos, uma vergonha, a amazonia, precisa ser ocupada com urgencia, e ter ainda um limite de + 20% a ser desmatado, para que se configure como território nacional e se de condição de vida aos seus moradores, infelizmente a minoria vence, com berros e a força do dinheiro gls ianque, muito obrigado 6 opiniões
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