Banking

Burocracia e custo alto inviabilizam o seguro-fiança

da Folha de S. Paulo

As duas outras formas de garantia que o inquilino pode dar ao locador --caução e seguro-fiança-- são pouco usadas devido à burocracia e ao custo alto.

A caução, modalidade usada em 25% das locações, é um depósito que o locatário faz ao assinar o contrato, que equivale a até três aluguéis. O dinheiro fica em uma conta de poupança em nome do proprietário do imóvel até o fim do prazo da locação.

A baixa procura é explicada pela falta de dinheiro: poucos inquilinos têm o valor para o depósito. No final do contrato, o dinheiro depositado volta para o locatário.

O seguro-fiança, presente em 5% das locações, é uma apólice feita em uma seguradora pelo inquilino. Caso fique inadimplente, o dono do imóvel tem garantido o recebimento dos aluguéis.

Mas seu custo é alto: para uma cobertura de R$ 700, relativa a um aluguel de R$ 500 mais despesas de IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) e condomínio, o inquilino paga R$ 466,52 por ano.

Se optar por cobertura total, que inclui danos ao imóvel e multas, o preço sobe para R$ 728. Os valores são divididos em quatro vezes.

As empresas de seguro costumam diluir em até 12 vezes o pagamento do prêmio, mas não há devolução do que foi pago para o inquilino ao final do contrato.

Para aumentar o uso do seguro, algumas seguradoras estão cobrando o prêmio do proprietário do imóvel. São descontados 6% todo mês do aluguel.

"O seguro-fiança não funciona no Brasil porque, além dos juros e dos aluguéis serem caros, a Justiça leva oito meses para despejar um inquilino. Para evitar prejuízos com essa demora, as seguradoras elevam seus preços", explica Aimoré Freitas, do Secovi-SP.

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