BBC Brasil
24/06/2002 - 08h07

Domingo sem jogo

 Clique aqui para ouvir esta coluna do Ivan Lessa

Parece que foi há séculos. Um domingo sem jogo de Copa. Dormir até mais tarde. Tomar o café e folhear os jornais. Ligar a televisão e ver o que há de novo. Terremoto no Irã, bomba na Espanha, menina desaparecida. As catástrofes a que já nos acostumamos a, de uma certa maneira, conviver.

No meio - mas bem no meio mesmo -, uns segundos mostrando a volta da seleção inglesa ao torrão natal. Doze horas de avião, expressões graves, ida rápida para um hotel nas imediações do aeroporto de Heathrow.

David Seaman, o goleiro do rabo-de cavalo e do rabo-de-foguete de Ronaldinho, de cabeça um pouco mais baixa que a dos companheiros: cismou que foi meio frango. Trata-se de uma boa auto-crítica. Má colocação não deixa de ser frango.

Apesar do adiantado da hora, algumas centenas de torcedores se deslocaram até o aeroporto para levarem seu aplauso de solidariedade. Isso é bacaninha. Parabéns pros torcedores.

Por falar nisso: uma das poucas coisas que se salvam dessa Copa foi a atuação dos torcedores. Com ênfase nos torcedores britânicos. Não houve depredações, garrafada na cara, polícia baixando o cacete.

Sim, eu disse "das poucas coisas que se salvam nessa Copa. No domingo destituído de "emoções" (entre violentas aspas), há até tempo para se pensar um pouco, coisa difícil quando se trata de futebol.

Depois de ler umas 15 ou 20 colunas dos comentaristas especializados tupiniquins, digeri as mais diversas informações sobre nossos Ronaldos: que Ronaldinho estava chateado com a expulsão: que Ronaldão talvez não jogasse, embora carecesse de fundamento o boato que corria de que o fabuloso craque tivesse, no vestiário, depois do jogo com a Inglaterra, virado os olhos para dentro e babado verde e amarelo.

Li as ponderações mais fascinantes sobre a parcialidade, covardia ou simples venalidade dos senhores árbitros. Li sobre passes - em campo e fora deles, ou seja, a compra de jogadores.

Só não li, em parte ou língua alguma, a única coisa que, até agora, depreendi de minhas, por certo amadorísticas, observações: a extraordinária baixa qualidade dos jogos.

Ô copa mais sem sal, mais medíocre, meu Senhor! Possivelemente a pior copa desde - o quê? - 1990? Por aí. Que venha o que chamam pitorescamente de "penta", que celebrem e soltem fogos. Só não me digam que foi bonito. Não foi. Mesmo.

Confira o site da BBC sobre a Copa do Mundo
 

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