Copa da amargura
Quem são os perdedores mais amargos desta Copa? Pela imprensa americana, são os italianos, seguidos pelos espanhóis, ambos eliminados pela Coréia do Sul.
Amigos italianos, donos de restaurantes, gente educada e entendida em futebol, garantem que a Fifa armou o esquema para favorecer a Coréia, mas não sabem me explicar por que a Coreia. Eles exibem os jornais italianos que, torcidos, pingam rancor.
Sabemos que os italianos nunca foram bons perdedores, mas a amargura na imprensa americana é novidade, porque os gringos em esportes costumam perder com elegância.
Mais surpreendente ainda é encontrar amargura no New York Times e no Wall Street Journal, dois dos jornais americanos mais sofisticados. O Times, em editorial, se queixou que o mundo torceu contra os Estados Unidos.
O editorial chega a afirmar que, se os americanos tivessem ganho da Alemanha, teriam desfeito a gratidão alemã conquistada com o plano Marshall.
A cobertura do colunista George Vecsey, um dos mais respeitados do Times, é bem mais equilibrada, e ele culpa a ganância dos clubes europeus pelo fracasso das suas seleções.
O Wall Sreet Journal proclama uma nova ordem mundial no futebol e afirma que a imprensa cobrindo a Copa foi contra os Estados Unidos.
O USA Today tem atitude mais positiva. O jornal está animado com a próxima Copa e já publica os jogadores mais prováveis da seleção.
Na imprensa americana há uma unanimidade. É sobre o Brasil. A mágica e o futebol bonito estão de volta. Amém.
Confira o site da BBC sobre a Copa do Mundo

