Vitória! Vitória!
Palavra que, por algumas horas mágicas, Londres, na tarde de domingo, virou um pouco Brasil. Em escala pequeníssima, claro, e mais lembrando um disfarce, ou fantasia.
Vá lá que seja, fantasia. Afinal, como dizem tangos e sambas, é tudo Carnaval. Perto de casa, assim que foi dado o apito final, ouvi alguns carros buzinando.
Não juro, mas uma pessoa de minha família, em quem confio, disse-me ouvir vozes dando aquele nosso prolongado "Brasiiiiiiil!" e até mesmo, depois, cantando o hino nacional.
É capaz. Afinal, no domingo de verão, que em homenagem ao jogo vestiu-se de inverno carioca, não havia Wimbledon nem tenista inglês disputando nada.
Os ingleses, nas ruas, rádio e televisão, não tinham outro esporte a cobrir. Críquete, atletismo e turfe, convenhamos, não chegam aos pés (desculpem o infame jogo de palavras) do futebol.
Na TV, os comentaristas todos elogiando, quase que desvairadamente, a vitória do Brasil, a conjunção esplêndida do que vinham chamando de três "Rs", Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho (embora desses, pra valer, só Ronaldo tenha correspondido às expectativas: deles, minhas).
Muito comentadas as falhas do goleiro Kahn e as boas intervenções inesperadas do nosso Marcos. Na verdade, estavam dizendo tudo aquilo que, na segunda, eu iria ler em tudo quanto é jornal inglês e português.
Cá entre nós, eles deram só um pouco menos espaço do que nós. E o grande herói da epopéia asiática foi... Ora, Ronaldo, óbvio. A palavra "redenção" foi a mais ouvida, numa proporção de sete "redenções" para três "beautiful game", que é como eles, os ingleses, cismaram que nós chamamos aquele que já foi o esporte bretão.
Confesso que não fui a Trafalgar Square celebrar o _tá bom, eu cedo_ o "penta" (mas só entre aspas). Vi as cenas. Se eu tivesse tomado umas caipirinhas, diria que era a cara da Copacabana que andaram mostrando na televisão.
Com menos mulher semipelada, como naquele episódio dos Simpsons, e menos, bem menos, graças a Deus, foguetes de estampido e aquelas bombinhas conhecidas como cabeças-de-negro.
Só tenho uma restrição às festividades: noticiaram que Ronaldo e seu novo corte de cabelo dedicavam a vitória a Deus, à sua família e ao seu fisioterapeuta. Ué, e os 170 milhões de brasileiros que andaram se esgoelando por todo mês de junho?
Confira o site da BBC sobre a Copa do Mundo

