Reino Unido orienta escolas sobre como colher digitais de alunos
da BBC Brasil
As escolas britânicas estão recebendo um guia com diretrizes sobre como poderão usar e armazenar dados biométricos de alunos, tais como impressões digitais.
Atualmente, existem colégios britânicos que utilizam dados biométricos de estudantes para aferir comparecimento, permitir que os alunos paguem por refeições ou peguem livros emprestados das bibliotecas escolares.
Críticos da medida afirmaram que armazenar impressões digitais de alunos é algo que fere a privacidade das crianças e levantaram dúvidas sobre a possível legalidade dessa prática.
Eles também protestaram contra o fato de que a coleta de dados biométricos não dependerá da aprovação de pais das crianças.
Dados temporários
O governo refuta as críticas, afirmando que a coleta de dados biométricos é feita de forma a não expor os estudantes e acrescenta que os dados precisam ser destruídos pelos colégios assim que os estudantes abandonam a instituição.
Segundo a Becta, a agência responsável pelo setor de educação no Reino Unido, o consentimento dos pais não é compulsório, mas a entidade aconselhou as escolas a envolver o maior número possível de pais e alunos em suas decisões de usar dados biométricos.
"'Essas informações não podem ser compartilhadas com terceiros e têm de ser eliminadas no caso de um estudante deixar a escola"', afirmou o ministro da Educação britânico, Jim Knight.
Os sistemas biométricos nos colégios britânicos funcionam de forma que não seja possível ver a imagem propriamente dita da impressão digital do aluno.
De acordo com a Becta, o sistema funciona da seguinte forma: quando as crianças colocam a sua impressão digital em um aparelho capaz de registrá-la, o equipamento gera um valor numérico.
Cada vez é lida a impressão digital do estudante, um novo valor numérico é gerado, e esse é comparado com outros números armazenados. Dessa forma, é possível estabelecer a identidade do autor da impressão digital entre os vários alunos e os números correspondentes a eles.
Antidiscriminatório
A agência afirma também que o sistema pode ser positivo para os alunos que almoçam no colégio, especialmente para os mais pobres, que não podem pagar por suas refeições, e que contam com isenções.
Graças à leitura biométrica, diz a Becta, esses estudantes não poderão ser identificados por seus colegas e, dessa forma, não estarão sujeitos a ser discriminados devido à sua condição social.
O órgão comenta ainda que graças ao sistema, os alunos não têm de levar carteiras ou dinheiro para a cantina, portanto não estão sujeitos a perder cartões automáticos nem a roubo por parte de outros colegas.
Outra precaução, segundo o guia fornecido pela agência governamental, é a necessidade de firmar que cada colégio é um "controlador de dados", ou seja precisa prestar contas do porquê de estar armazenando a informação e assegurar que a coleta desses dados está sendo feita dentro da lei e não será mantida além do prazo necessário.
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