Calor na Europa agrava incêndios criminosos na Itália
ASSIMINA VLAHOU
da BBC Brasil, em Roma
A forte onda de calor na Europa está agravando o problema dos incêndios de origem criminosa.
Hungria, Grécia e Romênia estão entre os países que já registraram mortes em decorrência do calor, que passa dos 40ºC. Até 500 pessoas já teriam morrido na Hungria e 20 na Romênia.
Na Itália, outro país afetado, duas pessoas morreram nesta segunda-feira (23) e 1.500 focos de incêndio foram registrados desde então, especialmente no centro-sul do país, segundo o Ministério do Interior.
O vice-ministro, Ettore Rosati, acredita que 90% dos incêndios registrados na Itália são criminosos.
Aquecimento global
Segundo meteorologistas, temperaturas acima de 40ºC são normais na Itália nesta época do ano, mas fatores como a estiagem e um inverno muito quente pioraram as condições climáticas.
Para Andrea Cocco, representante da ONG Liga Ambiente, o fato do último inverno ter sido quente é um claro indício do aquecimento global.
"A tendência ao aumento gradual da temperatura é evidente e, numa situação em que não chove e as terras são áridas, é mais fácil que o fogo se alastre", analisou.
Mas nem todos concordam com a visão de Cocco. O coronel Paolo Capizzi, do serviço de meteorologia da Aeronáutica italiana, acredita que a análise de apenas um verão não é suficiente para relacionar o calor excessivo ao aquecimento global.
Isto só é possível, na opinião dele, se o fenômeno se repetir com uma certa freqüência.
"O que há são as chamadas ilhas de calor, grandes metrópoles onde o clima mudou por causa do número de edifícios, do asfalto, dos automóveis e do grande uso de ar condicionado."
Máfia
Alguns ambientalistas também estão associando os incêndios, muitos dos quais em reservas, à ação do crime organizado.
"Os incêndios estão se concentrando em regiões como a Sicília, a Calábria e a Puglia [regiões no sul da Itália], onde há crime organizado e interesse em construção e reflorestamento", disse Patrizia Fantilli.
"Isso já acontecia dez ou 15 anos atrás, quando a situação climática ainda era considerada normal."
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