Britânicos criticam mídia portuguesa por cobertura do caso Madeleine
da BBC Brasil
Artigos de opinião e reportagens publicadas nesta quinta-feira em jornais britânicos criticaram a maneira como a imprensa portuguesa está cobrindo as investigações sobre o desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann.
Em reportagem de capa intitulada "Verdades, mentiras e difamação dos McCann", o "Independent" diz que o jornal português "Diário de Notícias" "tem sido freqüentemente anti-McCann, desde que afirmou, dias depois do desaparecimento de Madeleine, que os pais poderiam estar envolvidos".
O "Independent" critica uma matéria publicada pelo diário na quarta-feira que afirmava que a "teoria mais provável para explicar a morte da menina seria assassinato ou negligência", depois que investigadores "teriam revelado que alguém teria tentado apagar os vestígios de sangue" encontrados no apartamento.
Para o jornal britânico, "as informações deram origem a manchetes horríveis e emotivas".
O "Daily Telegraph" publicou uma entrevista com uma amiga dos McCann que condenou "a campanha de difamação que a imprensa portuguesa está fazendo contra a família ao rotulá-la como suspeita".
Rachael Oldfield, que com o marido fazia parte do grupo que jantava com os McCann na noite em que Madeleine desapareceu, disse ao jornal que as alegações são "muito dolorosas e ridículas".
O "Telegraph" cita outra matéria do "Diário de Notícias" em que dizia que "a polícia havia interceptado comunicações por telefone e e-mail entre os pais e os amigos que seriam determinantes para os investigadores concluírem que a criança inglesa foi morta no apartamento em que dormia, com os irmãos, na noite de 3 de maio."
"Há vazamentos da polícia e muito do que eu tenho ouvido recentemente não é verdade. Se um jornalista tinha pouca informação e a aumentou, ou se a polícia está alimentando verdades ou inverdades eu simplesmente não sei", disse Oldfield ao "Telegraph".
Em matéria intitulada "Vocês não são suspeitos", o "Daily Mirror" traz declarações da polícia portuguesa que tentam amenizar o tom que a imprensa do país tem dado ao caso.
"Os detetives foram forçados a fazer um comunicado extraordinário depois que foram divulgadas informações sobre o assassinato da menina dentro do apartamento."
"A família não é suspeita, esta é a posição oficial", teriam dito investigadores portugueses.
O "Independent" ainda dedicou um editorial ao assunto. Com o título Falatório e histeria, o jornal afirma "que as reportagens ultrapassaram os limites".
"A cobertura tanto no Reino Unido quanto em Portugal foi reduzida a insinuações e difamações", diz o jornal.
"É obvio por que isto está acontecendo. A mídia está de volta à praia de Luz para marcar o 100º dia desde o desaparecimento de Madeleine, no sábado. E há pressão para que os jornalistas no local publiquem novos acontecimentos, ainda que eles não existam."
"Se os McCanns começam a se arrepender de sua estratégia de usar a mídia para tornar o desaparecimento da filha o mais público possível, ainda é impossível dizer. Mas uma coisa é certa: a maneira cínica como partes da mídia estão tratando essa história trágica é de um profundo mau gosto", conclui o jornal.
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