Análise: EUA aumentam pressão sobre força de elite do Irã
PAUL REYNOLDS
da BBC Brasil
Se os Estados Unidos incluírem a Guarda Revolucionária do Irã na lista dos países e grupos considerados terroristas, a questão será se a medida é uma extensão dos atuais esforços americanos para isolar o Irã economicamente ou um passo na direção de uma ação militar.
Segundo os jornais "The New York Times", "Washington Post" e a agência de notícias Associated Press, o governo Bush deve realmente adotar a medida.
A decisão provavelmente cobriria a Guarda Revolucionária como um todo, apesar de terem ocorrido discussões a respeito de limitar a designação à Força Quds, que os Estados Unidos acusam de ajudar a armar milícias xiitas no Iraque.
Apesar de o próprio Irã ser rotulado como Estado patrocinador do terrorismo pelo Departamento de Estado americano, esta seria a primeira vez que uma força militar nacional seria descrita como um grupo terrorista.
Estrangulamento
O objetivo é estrangular as operações internacionais das muitas atividades comerciais da Guarda, que incluem participação no gerenciamento do aeroporto de Teerã e dos sistemas de transporte subterrâneos.
Duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, em dezembro e em março, tiveram como objetivo atingir o comércio iraniano em equipamentos e materiais ligados ao programa de mísseis balísticos ou nucleares. Os documentos também atingiam três companhias de aviação gerenciadas pela Guarda Revolucionária.
A nova ordem americana vai ampliar essas resoluções. Vai acrescentar pressão aos aliados dos Estados Unidos e parceiros de negócios para restringirem seus negócios com o Irã.
Os Estados Unidos também vão continuar tentando conseguir uma nova resolução do Conselho de Segurança para tornar mais severas e estender as sanções contra o Irã. As discussões devem ocorrer em Nova York em setembro. A China está relutante em chegar tão longe.
O subsecretário do Tesouro americano, Stuart Levey, encarregado da unidade de economia e contra-terrorismo, está viajando pela Europa, pedindo a governos e empresas, especialmente bancos, para cortar relações com o Irã.
Nicholas Burns, subsecretário de Estado americano, falou a respeito desta medida a um comitê do Senado no começo de 2007.
"Usamos toda nossa influência para convencer os maiores bancos europeus para paralisarem empréstimos ao Irã. Convencemos os governos europeus e o Japão a iniciarem uma redução de créditos de exportação", disse.
Acusações
Esta pressão não foi o bastante. O Irã ainda está desafiando a exigência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas de que as atividades iranianas de enriquecimento de urânio sejam suspensas e de que o país permita que reuniões discutam o futuro de seus planos nucleares.
Enquanto isso, uma saraivada de acusações americanas contra o Irã, por supostamente interferir no Iraque, aumenta.
O presidente George W. Bush disse em uma entrevista na semana passada que "o povo americano deve ficar preocupado a respeito das atividades do Irã no Iraque. E deve ficar preocupado com as atividades do Irã em todo o mundo".
A questão sem resposta é se a nova medida americana será outro passo em um caminho para um ataque militar contra as instalações nucleares do Irã.
Surgiram informações de que o vice-presidente americano Dick Cheney não quer que tal ataque seja descartado. Outros sugerem que Condoleezza Rice prefere endurecer a política diplomática e, por isso, está apoiando a denominação terrorista.
Papel
A Unidade Tática da Guarda Revolucionária (conhecida como Pasdaran) foi formada depois da revolução iraniana em 1979 e então assumiu um papel importante durante a guerra lançada contra o Irã por Saddam Hussein, durante a qual desenvolveu o conceito do ataque onda-humana.
A Guarda Revolucionária forma uma parte separada, porém significativa, das Forças Armadas iranianas, com deveres nos setores de proteção de fronteira e segurança interna. Seus soldados capturaram 15 soldados e fuzileiros britânicos no Golfo Pérsico no começo de 2007.
A unidade também opera os mísseis balísticos iranianos e, acredita-se, também tem um papel no campo nuclear.
Estados Unidos e Israel acusam a Guarda Revolucionária de armar o Hizbollah no Líbano e também os xiitas no Iraque.
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, já foi membro da unidade. Então, uma medida contra a Guarda Revolucionária como um todo também seria vista como uma medida contra o presidente.
A medida também iria destacar as diferenças a respeito do Irã entre os Estados Unidos e seus dois aliados na região: os governos do Iraque e do Afeganistão, que mantêm laços com o Irã.
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