Poder gay cresce até em redutos machistas, diz "Newsweek"
da BBC Brasil
Agora amadurecido no Ocidente, o poder gay está crescendo em todo o mundo, inclusive na terra do machismo, a América Latina, diz reportagem na edição desta semana da revista Newsweek International, a versão global da Newsweek americana.
Entre os exemplos citados na reportagem está a marcha de Orgulho Gay em São Paulo em junho, "que atraiu 3 milhões de participantes, de acordo com os organizadores do evento".
"Foi a maior já ocorrida no Brasil", afirma.
"A crescente influência da tolerante cultura pop ocidental encorajou gays e lésbicas a proclamar sua sexualidade", diz a reportagem, que dá exemplos de várias partes do mundo.
"Em alguns países, algumas pessoas-chaves apressaram a tendência" de aceitação dos direitos dos gays, diz a Newsweek International. "Alguns ativistas destacam umas poucas celebridades na retirada do estigma de sua causa, inclusive Nelson Mandela, que se prontificou a abraçar a sugestão do ator gay britânico Ian McKellen de apoiar a proibição da discriminação com base em preferência sexual na primeira Constituição pós-apartheid da África do Sul."
Segundo a reportagem, defensores da causa também destacam o papel de "juízes ativistas no Brasil, na África do Sul e na Corte Européia de Direitos Humanos, que deram sentenças decisivas que garantiram unilateralmente a gays, lésbicas e de transsexuais novos direitos".
Mas "a maior e talvez mais surpreendente mudança é na América Latina", qualificada pela Newsweek International como berço do machismo.
Uniões de casais do mesmo sexo "são legais em quatro Estados brasileiros hoje", diz a reportagem, que menciona a eleição de Clodovil Hernandes para a Câmara dos Deputados: "No ano passado, um estilista de moda abertamente homossexual foi eleito para o Congresso Nacional do Brasil com quase meio milhão de votos."
Também é mencionado que um juiz federal no Rio Grande do Sul ordenou que o sistema público de saúde subsidiasse o custo de operações de mudança de sexo, colocando-a assim "no nível de cirurgia cardíaca, transplante de órgãos e tratamento de Aids como procedimento médico digno de apoio do contribuinte".
Iniciativas de garantir mais direitos aos gays na Colômbia e em Cuba também são mencionadas pela reportagem. No México, "o declínio do prestígio da Igreja Católica encorajou os ativistas pelos direitos dos gays e seus aliados em assembléias legislativas e conselhos municipais a aprovarem novas leis legalizando uniões de casais do mesmo sexo".
Mas há locais onde a tolerância aos gays ainda está longe de se tornar realidade, diz a reportagem. "Homossexualismo continua sendo um tabu por todo o Oriente Médio. Na maior parte do Extremo Oriente, leis permitindo uniões civis de gays e lésbicas estão anos, se não décadas no futuro", diz a reportagem da Newsweek International.

