BBC Brasil
26/09/2007 - 08h34

Brasil fica em 72º em ranking de corrupção, diz relatório

PABLO UCHOA
da BBC Brasil, em Londres

No momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma série de denúncias de corrupção, a organização TI (Transparência Internacional) divulgou um relatório que oscila positivamente a nota do país em relação ao combate ao problema.

De 3,3 no ano passado --o pior nível histórico do Brasil-- a nota do país subiu para 3,5 neste ano, na medição anual da ONG, que vai de zero a dez. No ranking geral, o Brasil caiu da 70ª para 72ª posição, mas esta mudança reflete a entrada de novos países na pesquisa.

Foi a primeira vez que a nota subiu no governo Lula, embora a pesquisa tenha sido feita antes de episódios como a decisão de processar os acusados pelo mensalão e a absolvição do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no Congresso Nacional.

Além disso, o porta-voz da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Speck, ressaltou que a mudança é apenas um "passo para o lado" na percepção pública do combate à corrupção, já que se situa dentro da margem de erro da pesquisa --0,2 ponto percentual para cima ou para baixo.

Os patamares da atual administração ficam abaixo do registrado no final do governo Fernando Henrique Cardoso, que foi melhorando do início para o fim, alcançando 4,1 em 1999 apesar das denúncias de compra de voto no Congresso Nacional para aprovação da emenda que permite a reeleição do Presidente da República.

"A tendência no governo FHC e Lula é inversa", reconhece Speck, "mas ambos passaram por altos e baixos".
"Não dá para dizer que o Brasil mudou significativamente para melhor ou para pior. E isso confirma a percepção de quem vive no país e vivencia fatos que apontam em direções opostas."

Direções opostas

Dois recentes exemplos contraditórios, disse ele, são a decisão do Supremo Tribunal Federal de processar os acusados no caso mensalão --um "sinal positivo"-- e a absolvição do senador Renan Calheiros no processo de cassação.

Sobre o mensalão, Speck afirmou: "Jamais o Judiciário tocou nos altos escalões da política de uma forma tão contundente como está fazendo agora. Embora não tenha julgado o caso, aceitou a denúncia".

"No entanto, duas semanas depois, há a absolvição do (senador) Renan Calheiros, que foi um sinal para o outro lado."

"Existe uma percepção de que algumas coisas estão trazendo esperança de melhora, e outras que destacam o Brasil como o país da impunidade."

Para o analista, o Brasil pode melhorar seu desempenho atacando "demandas específicas em cada Poder". "O Poder Judiciário tem de se tornar mais transparente e mais ágil A questão da transparência tem melhorado com a criação de conselhos externos. Mas não há acesso a dados básicos, como quantos processos de corrupção ativa e passiva existem no Brasil."

"No Poder Executivo, é preciso facilitar o acesso do cidadão ao Estado, e reduzir os intermediários na prestação de serviços públicos. Projetos como o Poupatempo, em São Paulo, e outros semelhantes, são positivos neste sentido."

Abaixo da média

No ranking geral, o Brasil caiu da 70ª para 72ª posição --são 180 países-- mas essa queda se explica pela entrada de 17 novos países no ranking deste ano, em relação ao ano passado.

Para a Transparência Internacional, o "divisor de águas" é a nota 5, abaixo da qual estão países com problemas mais sérios de corrupção.

Na América do Sul, apenas o Chile (7,0) e o Uruguai (6,7) estão no grupo dos países com melhor desempenho.
Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia (nota 9,4) dividem o topo do ranking. Somália e Mianmar (1,4), Iraque (1,5) e Haiti (1,6) --que muitos qualificam como "Estado-falidos"-- estão no espectro oposto.

"A corrupção [nos países com pior desempenho] continua sendo um enorme ralo de recursos tão necessários para a educação, a saúde e a infra-estrutura", disse em um comunicado de imprensa a presidente da Transparência Internacional, Huguette Labelle.

"Governos de países divididos por conflitos pagam um preço alto em sua capacidade de governar."

Comentários dos leitores
Maria do Rosario Freitas (100) 19/02/2008 00h12
Maria do Rosario Freitas (100) 19/02/2008 00h12
Quando estamos "vivos" sentimos saudades de tudo até do que não presta, loucura sentir saudades dos outros. "melhor ter dez inimigos declarados do que um oculto". Espero que estas cassações não sejam só demonstrativos para tapear a população, que não inventem nenhuma lei às vesperas da eleição como fizeram com as dividas das eleições, uma vergonha. tem candidatos que pôs cidades do interior inteira para trabalhar, deu calote em postos de gasolinas levando-os a fechar, tiveram uma lei específica para eles livrando-os dos calotes. Tenho curiosidade de saber como ficou a prestações de contas desses sujeitos. A maioria eram da famosa e muiiiito honesta oposição. 24 opiniões
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Odon Porto de Almeida (1) 21/12/2007 09h57
Odon Porto de Almeida (1) 21/12/2007 09h57
Que democracia é a nossa, se um pseudo Congresso não legisla e apenas aprova medidas provisórias do Presidente? Além de tudo, suas lideranças moralmente muito deixam a desejar. como é de todos sabido. sem opinião
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NIL LIN (19) 29/11/2007 10h10
NIL LIN (19) 29/11/2007 10h10
SAO PAULO / SP
Chavez tem razão. O Congresso Nacional, especialmente o senado, é que nem papagaio: repete o que lhes passam as TVs e jornais. E a elite tb é a mesma coisa. Considera tudo que aparece na mídia como se fosse verdade e vai repetindo por entre seus amigos. O POVO QUE A ELITE ACHA BOBO, NÃO LIGA PARA ESTAS COISAS. O POVO SABE DESCONFIAR, SENTE NA PELE A REALIDADE DO DIA A DIA, NÃO ENGOLE TUDO QUE APARECE NA TV. E a elite se achando o tal, rotula os "conterrâneos de analfabetos, quando ela própria é ludibriada ao sabor de qualquer noticiário. O povo não é mais bobo como faz acreditar o bicudo fhc. Estudo é essencial, dá conhecimento, mas nunca faz uma pessoa ser melhor ou mais inteligente que outra. NOS ULTIMOS TEMPOS O POVO QUE AINDA É POUCO ESCOLADA, DEU MUITO VALOR AO ENSINO; ACHO QUE É POR ISSO QUE NÃO ACEITA QUALQUER COISA QUE TENTAM LHE PASSAR PELA MIDIA. O que não pode dizer dos escolados, que são facilmente influenciáveis. 30 opiniões
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