Espanha prende brasileiros suspeitos de manter rede de prostituição
da BBC Brasil
Duas quadrilhas acusadas de traficar mulheres brasileiras para trabalhar como prostitutas na Espanha foram desmanteladas nesta sexta-feira pela polícia espanhola na chamada operação Contato, que prendeu suspeitos em cinco cidades. A maior rede, chefiada por um brasileiro de 28 anos, operava nas províncias de Galícia, Cáceres, Albacete, Alicante e Zaragoza.
As investigações começaram em abril passado, quando anúncios em jornais espanhóis e na internet chamaram a atenção dos policiais por oferecer "casas de contato", como referência.
Um detetive à paisana telefonou simulando um encontro e, ao chegar a uma das casas, foi recebido por duas brasileiras e uma venezuelana que contaram ser forçadas a se prostituir. As mulheres eram aliciadas no Brasil no estado do Paraná e, ao desembarcarem, eram comunicadas de que a dívida da viagem era de 12 mil euros --cerca de R$ 30 mil.
Segundo os depoimentos, a quadrilha ameaçava as vítimas, que não sabiam que pagariam as dívidas como prostitutas.
A operação prendeu dez suspeitos, sete deles brasileiros. Eles são acusados de crimes de prostituição, contra os direitos dos cidadãos estrangeiros, associação ilícita, ameaças, coação e detenção ilegal, estadia ilegal na Espanha e falsificação de documentos. A polícia apreendeu também um carro BMW modelo 320 TD, 2.000 euros em dinheiro --cerca de R$ 5,3 mil-- e comprovantes bancários de envios de dinheiro ao Brasil e à Colômbia.
Em Bilbao, norte da Espanha, outra rede acusada dos mesmos crimes foi desmantelada nesta manhã. Um brasileiro de 35 anos é acusado de chefiar a quadrilha que obrigava 16 brasileiras a se prostituírem na cidade. A investigação começou em maio passado, graças a denúncias de uma das prostitutas.
Só neste ano, 52 pessoas foram presas e cinco quadrilhas desmanteladas sob acusação de crimes de prostituição de homens e mulheres brasileiras.
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