BBC Brasil
14/10/2007 - 10h26

Polícia do Rio tem fama "indiscutível" de brutal, diz "The New York Times"

da BBC Brasil

O Bope (Batalhão de Operação Especiais) da polícia do Rio tem fama "indiscutível" de violento, afirma uma reportagem do jornal americano "The New York Times" neste domingo.

O diário dedica uma matéria ao filme "Tropa de Elite", que segundo o jornal acendeu a discussão sobre o nível de violência que a sociedade brasileira está disposta a aceitar em troca de segurança.

A obra do diretor José Padilha conta a história real de uma operação do Bope para exterminar uma gangue de traficantes em uma favela próxima à casa do arcebispo do Rio, pouco antes de uma visita do papa ao Brasil, em 1997.

"O filme oferece um olhar raro sobre o batalhão, que é retratado matando e torturando, aparentemente à vontade", diz o texto.

"[A obra] está levando muitos brasileiros a refletir sobre o nível de violência policial aceitável, especialmente no Rio, uma cidade com uma taxa de homicídio seis vezes maior que a de Nova York."

"Em particular, a tortura é apresentada no filme como um aspecto quase constante da violência urbana no Brasil, com policiais e traficantes competindo entre si para superar um ao outro na escala de brutalidade."

Sob o título "Uma unidade violenta da polícia, nas telas e nas ruas do Rio" (tradução livre), a reportagem mostra como a imagem do Bope mudou nos dez anos a partir de quando se passa a trama.

"Naquela época, o Bope tinha cerca de 120 membros e era considerado um santuário para policiais honestos no Rio. A força cresceu para mais de 400 hoje em dia, e sua reputação de incorruptível está desaparecendo", diz a reportagem. "Entretanto, sua reputação para a brutalidade é indiscutível."

De acordo com o NYT, nenhum filme causou tanta "ebulição" no Brasil desde Cidade de Deus, que em 2002 traçou um retrato da violência nas favelas.

"Tropa de Elite deixou embaraçados quase todos os que o viram, suscitando, por exemplo, um debate sobre se o uso hedonista de drogas pelas classes médias e altas do Rio devem ser culpadas pela guerra na cidade."

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