BBC Brasil
17/10/2007 - 14h29

FMI defende redução de tarifas a biocombustíveis

da BBC Brasil

O FMI (Fundo Monetário Internacional) defendeu no relatório Panorama Econômico Mundial, divulgado nesta quarta-feira, que os Estados Unidos e a União Européia reduzam suas barreiras às importações de biocombustíveis de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Segundo o Fundo, os americanos, que produzem etanol a partir do milho, e os os "países produtores de biocombustíveis da União Européia" deveriam facilitar a entrada desses produtos de países "onde a produção é mais barata, mais eficiente e causa menos danos ambientais".

Esta mudança, diz o FMI, reduziria o risco de uso de produtos agrícolas como fontes de combustível ter "implicações graves" para a oferta de alimentos.

De acordo com o documento, a política de "promover biocombustíveis enquanto protege os seus agricultores" pode levar a um aumento das taxas de importação desses produtos, o que prejudicaria os exportadores --geralmente países mais pobres-- gerando pressões inflacionárias e ameaças ao seu crescimento.

O relatório destaca o etanol brasileiro, produzido a partir de cana-de-açúcar, como o biocombustível mais barato de produzir e menos danoso ao meio ambiente.

O Fundo argumenta que a redução das tarifas de importação também propiciaria oportunidades para outras nações em desenvolvimento que contam com vantagens comparativas para produzir biocombustíveis e entrar nos mercados dos países desenvolvidos.

O relatório afirma que todos os biocombustíveis provocam menos danos ambientais do que a gasolina ou o óleo diesel, mas os benefícios relativos do etanol produzido a partir do milho ou do trigo são menores e que "biocombustíveis de segunda geração oferecem consideráveis benefícios ambientais, mas são mais caros de se produzir".

O texto do FMI vislumbra ainda um contexto hipotético, porém "politicamente improvável" até 2012, segundo o qual os Estados Unidos e a União Européia retirarariam as barreiras que cobram sobre a importação de biocombustíveis.

"Diante desse contexto, a produção utlizando produtos alimentícios mais caros, nos Estados Unidos e na União Européia, seria incapaz de gerar lucros e sofreria uma queda, fazendo com que a oferta passasse a vir de importadores mais baratos."

Ainda nesse exercício hipotético, o FMI vislumbra que "até 2012, o etanol seria produzido em grande parte pelo Brasil e por outros países latino-americanos e o biodiesel, por países asiáticos".

De acordo com o documento, desde 2006 houve um aumento nos preços de alimentos e que essa é uma preocupação considerável nos países desenvolvidos e, principalmente, e nos emergentes.

Nesses países, diz o FMI, um possível aumento do preço de alimentos e de energia poderia afetar as expectativas de inflação e influenciar preços de outros produtos e até valores de salários.

O FMI afirma que, nos últimos anos, alguns produtos usados para a fabricação de biocombustíveis --incluindo milho, soja e trigo-- sofreram um aumento considerável.

Segundo o documento, uma série de países exportadores de alimentos na região das Américas, como Argentina, Bolívia e Chile, e na região ao sul da África, como África do Sul, Namíbia e Suazilândia, se beneficiaram do aumento no preço de alimentos em vigor desde 2002.

Mas muitas das regiões mais pobres da África, como Benim, Cabo Verde, Gana e Níger saíram perdendo com o aumento dos preços dos produtos agrícolas. O relatório também considera prejudicados países da Ásia e do Oriente Médio, que importam esses produtos.

 

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