BBC Brasil
09/11/2007 - 16h41

Chávez chama Lula de "magnata petroleiro"

da BBC Brasil

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, chamou nesta sexta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "magnata petroleiro" e disse que Brasil e Venezuela deveriam se unir na criação de uma empresa de petróleo para vender o produto a preços subsidiados para os países da região.

Em Santiago, onde participa da Cúpula Ibero-Americana, o presidente venezuelano fez várias referências, em tom irônico, ao anúncio feito nesta quinta-feira pelo governo brasileiro sobre a existência de novos campos de petróleo, que ampliam em mais de 50% as reservas totais no país.

Ivan Franco/Efe
Em tom irônico, Chávez chama Lula de "magnata petroleiro" em reunião no Chile
Em tom irônico, Chávez chama Lula de "magnata petroleiro" em reunião no Chile

"O Brasil agora pode ingressar na Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] com esta grande quantidade que conseguiu", afirmou Chávez. "Se é que isso é certo. Oxalá", completou.

Petroamazonia

Em outro momento do discurso, Chávez propôs a criação de uma empresa conjunta, que já batizou de Petroamazonia, a exemplo de outras empresas que já existem na Venezuela.

"Lula, agora que é um magnata petroleiro, que o Brasil tem tanto petróleo, te proponho que juntemos esses mecanismos de cooperação com países que não têm petróleo, com países que não têm possibilidade de pagar US$ 100 o barril", afirmou.

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que a criação de uma empresa para vender petróleo subsidiado não esta em discussão no governo brasileiro. "Não tem nenhum sentido", afirmou.

Garcia disse que o discurso do presidente venezuelano foi "uma forma simpática" de tratar do assunto e que, mesmo com a novas reservas, o Brasil não será um concorrente para a Venezuela em termos de petróleo.

O discurso do presidente Chávez durou 25 minutos e acabou sendo o último da sessão de discursos da manhã.

Bachelet

A presidente do Chile e presidente da reunião, Michele Bachelet, encerrou a sessão para o almoço oficial e não informou se os demais presidentes inscritos para falar teriam oportunidade de fazê-lo à tarde ou no sábado.

O presidente Lula pretendia falar sobre os programas sociais do governo, defendendo ao mesmo tempo a política macroeconômica adotada nos últimos anos, afirmando que ela permitiu o crescimento econômico e a geração de empregos.

Garcia disse que o presidente deve falar sobre o assunto em outro momento, provavelmente num discurso mais longo do que os cinco minutos que haviam sido preparados para a sessão da manhã.

 

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