Polícia paquistanesa isola casa onde Bhutto cumpre prisão
da BBC Brasil
A polícia do Paquistão reforçou na manhã desta terça-feira (13) o cordão de isolamento em torno da casa onde a líder da oposição e ex-primeira-ministra Benazir Bhutto cumpre prisão domiciliar, na cidade de Lahore.
Centenas de policiais e guardas impedem que Bhutto deixe a casa. Na segunda-feira (12), a ex-premiê recebeu uma nova ordem de prisão domiciliar, de sete dias.
A prisão, a segunda nos últimos dias, foi decretada pelo governo para impedir que Bhutto lidere uma marcha programada para esta terça-feira contra o estado de emergência declarado pelo presidente paquistanês, Pervez Musharraf, no dia 3 de novembro.
A chamada "longa marcha" deverá percorrer 270 km de Lahore até a capital do Paquistão, Islamabad.
Segundo uma porta-voz de Bhuto, Sheri Rahman, o protesto será realizado mesmo com a prisão domiciliar da ex-premiê.
Nesta segunda-feira, a Comunidade Britânica de Nações, que reúne 53 países, ameaçou suspender o Paquistão se Musharraf não decrete o fim do estado de emergência no prazo máximo de dez dias.
Depois de uma reunião de ministros de Relações Exteriores dos países do grupo, em Londres, o secretário-geral da comunidade, Don Mckinnon, disse que o general Musharraf deve restaurar a Constituição do Paquistão e o Judiciário independente, além de libertar presos políticos e deixar o cargo de comandante das Forças Armadas.
O Paquistão já foi suspenso do grupo em 1999, quando o general Musharraf tomou o poder em um golpe. Em 2004, o país foi aceito de volta à comunidade.
Musharraf disse que as eleições parlamentares serão realizadas até 9 de janeiro, mas os líderes da oposição querem o fim do estado de emergência antes do pleito.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, voltaram a pedir que o presidente Musharraf restaure a democracia no Paquistão.
Os Estados Unidos vêm pressionando Musharraf a aceitar um acordo de divisão de poder com Bhutto, para ajudar na luta do Paquistão contra extremistas islâmicos.
Bhutto retornou ao Paquistão no mês passado, com a permissão de Musharraf, depois de oito anos de exílio voluntário.
No entanto, diante da crise atual, a ex-primeira-ministra, que lidera o PPP (Partido do Povo Paquistanês), disse que não vai mais negociar com o presidente paquistanês um possível acordo de divisão de poder.
Ao ser questionada sobre essa decisão, Bhutto afirmou: "Sim, é uma mudança, é uma mudança na política do meu partido".
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