BBC Brasil
22/11/2007 - 16h00

Agência nuclear diz não ter dados confiáveis sobre Irã

da BBC Brasil

O chefe da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Mohamed El Baradei, afirmou que a agência não tem informações confiáveis sobre as atividades nucleares do Irã devido ao histórico do país de esconder dados.

Baradei fez a afirmação durante a reunião dos diretores da agência da ONU em Viena, na Áustria, para discutir a questão nuclear iraniana.

O chefe da AIEA disse que a agência não "consegue oferecer garantias confiáveis a respeito da falta de materiais ou atividades nucleares que não foram declarados" pelo governo iraniano.

"Isso é especialmente importante no caso do Irã devido a seu histórico de atividades não declaradas e à correspondente necessidade de restaurar a confiança na natureza pacífica do programa nuclear iraniano", acrescentou.

Baradei afirmou que a AIEA progrediu em suas investigações a respeito das atividades nucleares do Irã devido à crescente cooperação do governo iraniano, mas alertou que o país ainda desafia a determinação da ONU e enriquece urânio.

Por isso, segundo o chefe da agência nuclear, o conhecimento da AIEA a respeito das atuais atividades do Irã está diminuindo.

"A agência precisa ter o máximo de clareza, não apenas sobre o passado do programa iraniano, mas igualmente, ou até mais importante, a respeito do presente", disse.

"Devo notar, entretanto, que a agência não tem informações concretas a respeito de suposto material nuclear não declarado ou atividades armamentistas no Irã, exceto aquelas que já mencionei", concluiu.

Ali Ashgar Soltanieh, embaixador do Irã na AIEA presente na reunião de Viena, afirmou que o relatório da agência mostra que o governo iraniano está cooperando e alertou que qualquer nova sanção da ONU poderá ser prejudicial.

"Vamos continuar com esta disposição de cooperação, desde que a comunidade internacional e os países pacíficos evitem que os Estados Unidos ou outros criem problemas e ameacem esta abordagem construtiva", disse o embaixador.

"O envolvimento do Conselho de Segurança da ONU precisa parar, o quanto antes melhor", acrescentou.

A reunião em Viena dá a Baradei a oportunidade de defender seu "plano de trabalho" com o Irã.

O plano estabelece um mecanismo pelo qual o governo iraniano seria mais claro a respeito de seu programa nuclear.

No último relatório, Baradei afirmou que o Irã forneceu mais informações em aspectos anteriores de seu programa nuclear.

Mas acrescentou que uma maior cooperação é necessária para explicar as atividades atuais, incluindo os traços de urânio altamente enriquecido que os inspetores encontraram em instalações nucleares.

Baradei enfrentou críticas porque seu plano de trabalho deu ao Irã a chance de adiar mais sanções internacionais.

Comentários dos leitores
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Os EUA se esquecem que o Irã celebrou contratos comerciais com a Venezuela e a China, bem como com o Brasil que detêm tecnologia para o refino do petróleo bruto. Já os EUA dependem do petróleo da Venezuela para sobreviver. As Sanções serão ineficazes. sem opinião
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Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Excelente o comentário de Juarez Ribeiro Batista. Gostaria de complementá-lo.
Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
4 opiniões
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Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Juarez. Menos. Ao que me consta, no último conflito como o Hezbollah a base avançada dos americanos (que alguns teimam de chamar de país) não se deu nada bem, e, por outro bordo, cumpre observar que nenhum conflito envolveu o Irã, ademais porque, até 1979 era aliado dos EUA. 3 opiniões
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