Exposição na casa de García Lorca revela intimidade do poeta
ANELISE INFANTE
da BBC Brasil
A casa de Federico García Lorca em Granada, no sul da Espanha, foi reaberta nesta semana com uma exposição que mostra a intimidade de um dos poetas mais famosos da língua espanhola e autor de peças teatrais como "Bodas de Sangue", "Yerma" e "A Casa de Bernarda Alba".
| BBC/Divulgação |
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| Gilbert & George se deitaram na cama do escritor para criar "Na cama com Lorca" |
A mostra Everstill/Siempre Todavia (Sempre Ainda, em tradução livre) revela a visão de 31 artistas plásticos de diversos países sobre a obra e a vida do poeta e marca a largada para os eventos de 2008, ano de celebração do centenário de nascimento de Lorca.
Entre os trabalhos em exposição estão duas peças da artista brasileira Rivane Neuenschwander.
Segundo o curador da mostra, o suíço Hans Ulrich Obrist, o objetivo do projeto é recriar o universo do poeta, formando um elo entre a literatura e as artes plásticas.
Os artistas passaram dias na casa do escritor para encontrar a inspiração e entender o ambiente de Lorca.
"A intimidade de uma casa é bem diferente da de um museu. Por isso é tão sugestiva para os artistas. Facilita um diálogo sutil com o personagem e o lugar", diz Obrist.
Passeio pelos cômodos
O trajeto da exposição é um passeio por todos os cômodos da casa, que foi residência da família Lorca desde 1926 até o início da Guerra Civil espanhola, em 1936, quando o poeta foi assassinado por nacionalistas, acusado de subversão --Lorca simpatizava com os socialistas e era homossexual.
Os artistas britânicos Gilbert & George deitaram-se na cama do escritor e decidiram se fotografar nela para criar a peça Na cama com Lorca.
Debaixo da escada, a australiana Koo Jeon-a recriou a roupa preferida do poeta, um uniforme de marinheiro.
Um quadro da espanhola Cristina Iglesias decora a sala de piano, onde também fica o tapete azul da americana Sarah Morris, feito por livros biográficos de escritores que ela associou a Lorca, como Fernando Pessoa, Reinado Arenas e Marguerite Duras.
As peças de Rivane Neuenschwander estão no escritório. Uma folha branca de papel deixada sobre a máquina de escrever do poeta evoca o silêncio da ausência de Lorca.
A outra obra da brasileira é uma colcha bordada com pássaros em alusão à liberdade, segundo o curador da mostra.
A exposição é acompanhada por uma trilha sonora. Canções compostas pelo músico de flamenco espanhol Enrique Morente são ouvidas em todos os cômodos da casa.
A mostra estará em Granada até maio, quando terá uma segunda fase com novos artistas, e seguirá para Madri em setembro de 2008.
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