Combate à Aids foi mal conduzido na África do Sul, diz relatório
da BBC Brasil
Um novo relatório diz que a corrupção e a postura do próprio presidente da África do Sul prejudicaram o combate à Aids no país, onde cerca de 12% da população é portadora do HIV.
Os autores do documento alegam que houve um "coquetel potencialmente letal de má administração" no país e responsabilizam o presidente, Thabo Mbeki, por colocar em dúvida a relação entre a Aids e o vírus HIV, afirmando que sua postura teve um impacto em todo o sistema de saúde.
Em uma carta enviada a líderes mundiais em 2000, Mbeki defendeu os contatos de seu país com cientistas que não acreditavam que o HIV causava a Aids e disse que alguns remédios usados para combater a doença eram tóxicos demais.
Apenas em 2003, no quarto ano de Mbeki na Presidência, o governo aprovou que hospitais públicos sul-africanos passassem a oferecer drogas anti-retrovirais aos portadores do vírus.
O relatório do Instituto de Estudos de Segurança e pela ONG Transparência Internacional, intitulado Um Coquetel Letal, afirma que a politização da doença cria situações em que as autoridades tomam decisões erradas em relação à doença e prejudicam sua prevenção e combate.
Os autores citam como exemplo a demissão de um médico por ter permitido que uma organização de ajuda a vítimas de estupro usasse um hospital desativado para distribuir drogas anti-retrovirais.
Os políticos locais acusaram o médico de colocar a vida das pessoas em perigo e de ameaçar transformar a África do Sul em uma república de bananas.
O relatório também diz que, atualmente, é difícil separar a corrupção da má administração e das falhas do sistema como principais causas dos problemas no tratamento à Aids no país.
A África do Sul é o país com maior incidência relativa de Aids no mundo.
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