BBC Brasil
03/12/2007 - 17h05

Após vitória, oposição a Chávez prega reconciliação

CLAUDIA JARDIM
da BBC Brasil, em Caracas

Depois da vitória no referendo que rejeitou as reformas constitucionais propostas pelo governo Chávez, líderes da oposição venezuelana adotaram um discurso de tom conciliador.

O governador do Estado de Zulia e ex-candidato presidencial, Manuel Rosales, disse que espera "que este resultado sirva para que busquemos a paz e a harmonia na Venezuela".

O discurso foi repetido pelo oposicionista Leopoldo López, prefeito de Chacao, um dos municípios que compõem o Distrito Metropolitano de Caracas.

"Esse é o momento para nos reencontrarmos, todo o povo", disse. "Poderemos sentar com o presidente para ver qual é o projeto de país que ele quer para todos os venezuelanos."

Para Teodoro Petkoff, diretor do diário de oposição "Tal Cual" e ex-candidato presidencial, "foi possível demonstrar que dentro da democracia, sem buscar atalhos nem falsas saídas, se pode obter resultados democráticos".

A oposição chegou na última semana de campanha dividida entre um grupo que apoiava o voto - representado por um setor do movimento estudantil, a alta hierarquia da Igreja Católica e partidos políticos emergentes - e outro grupo que convocava a abstenção e a desobediência civil.

Na reta final, após algumas pesquisas de intenção de voto indicarem que a disputa seria apertada, buscaram a unidade em torno do voto.

Para Petkoff chegou o momento de "reconfigurar" a oposição.

"A grande fortaleza de Chávez tem sido a debilidade de seus adversários", disse. "Mas seus adversários estão começando a superá-las."

A oposição venezuelana atravessou a madrugada desta segunda-feira comemorando a vitória no referendo.

A praça França, reduto dos opositores no leste de Caracas, foi tomada por simpatizantes do "Não".

Com 90% dos votos apurados, o "não" à reforma venceu com 50,7% dos votos; o "sim" obteve apoio de 49,29% dos eleitores.

Essa é a primeira derrota de Chávez após nove anos de governo e após nove processos eleitorais consecutivos dos quais o governo saiu vitorioso.

Ao perder o referendo, Chávez tende a "desacelerar" seu projeto de implementação do socialismo no país.

O governo atribuiu a derrota ao alto nível de abstenção no referendo, 44,9%. "A abstenção nos derrotou", justificou Chávez.

O presidente venezuelano afirmou que os resultados foram mais uma prova da democracia do seu país e disse que 49,29% dos eleitores aprovaram seu projeto socialista e que não retira uma "vírgula" da sua proposta.

"A proposta está viva", disse.

Comentários dos leitores
Santos Júnior (323) 05/12/2009 12h26
Santos Júnior (323) 05/12/2009 12h26
Recentemente as Farcs incendiaram um ônibus que dentre os passageiros, meia-dúzia de crianças morreram carbonizadas.A onda de violência vem de toda a parte e não apenas da América do Norte.Em gaza a política fanática do Hamas também mata.Não vejo que justificar a morte de inocentes diante da dominação imperial seja a saída para buscar a paz.Não é os EUA ou a Colômbia que sempre aparecem na mídia falando em preparativos para uma suposta guerra por aqui e sim Hugo Cháves.As farcs trocam cocaína por armas e também não vejo esta atitude como uma busca pela paz.Vamos para com esta hipocrisia e aceitarmos que a violência vem de todos os lados e gerar violência para combater outra, envolvendo inocentes no meio da patifaria nunca fserá a saída. sem opinião
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Eduardo Carvalho (27) 02/12/2009 08h19
Eduardo Carvalho (27) 02/12/2009 08h19
É até engraçado ver o Lula dizer que vai realizar reunião para resolução das dferenças entre colômbia e Venezuela... quem é Lula senão o governante que deixa que outros cantem de galo sobre seu país, que deixa que refinarias da Petrobrás sejam tomadas de assalto por forças armadas de países infinitamente mais fracos que o nosso... fala sério... em uma "reunião" destas, ganharia que falasse mais alto, e adivinhem quem seria?!? Está cada dia mais complicado ver as atitudes de nosso governante, que desde o cmeço do mandato só se alia a gente corrupta. Tá muito difícil aguentar o Chavez mandando na gente... e olha que ele ainda nem tá conseguindo morder... apenas ladrar. Imaginem quando ele tiver força militar suficiente para começar alguma bagunça de verdade nest circo populista em que se transformou a América do Sul? 1 opinião
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J. R. (1184) 02/12/2009 05h13
J. R. (1184) 02/12/2009 05h13
Iniciativas pela construção da paz tem que ser apoiadas, mesmo que desafiem a supremacia estadunidense, que muitos "se derretem" quando se fala dela. Um dia seremos "todos brasileiros", quando os que se sentem americanos seguirem seu caminho para a 'terra prometida'. 1 opinião
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