Após vitória, oposição a Chávez prega reconciliação
CLAUDIA JARDIM
da BBC Brasil, em Caracas
Depois da vitória no referendo que rejeitou as reformas constitucionais propostas pelo governo Chávez, líderes da oposição venezuelana adotaram um discurso de tom conciliador.
O governador do Estado de Zulia e ex-candidato presidencial, Manuel Rosales, disse que espera "que este resultado sirva para que busquemos a paz e a harmonia na Venezuela".
O discurso foi repetido pelo oposicionista Leopoldo López, prefeito de Chacao, um dos municípios que compõem o Distrito Metropolitano de Caracas.
"Esse é o momento para nos reencontrarmos, todo o povo", disse. "Poderemos sentar com o presidente para ver qual é o projeto de país que ele quer para todos os venezuelanos."
Para Teodoro Petkoff, diretor do diário de oposição "Tal Cual" e ex-candidato presidencial, "foi possível demonstrar que dentro da democracia, sem buscar atalhos nem falsas saídas, se pode obter resultados democráticos".
A oposição chegou na última semana de campanha dividida entre um grupo que apoiava o voto - representado por um setor do movimento estudantil, a alta hierarquia da Igreja Católica e partidos políticos emergentes - e outro grupo que convocava a abstenção e a desobediência civil.
Na reta final, após algumas pesquisas de intenção de voto indicarem que a disputa seria apertada, buscaram a unidade em torno do voto.
Para Petkoff chegou o momento de "reconfigurar" a oposição.
"A grande fortaleza de Chávez tem sido a debilidade de seus adversários", disse. "Mas seus adversários estão começando a superá-las."
A oposição venezuelana atravessou a madrugada desta segunda-feira comemorando a vitória no referendo.
A praça França, reduto dos opositores no leste de Caracas, foi tomada por simpatizantes do "Não".
Com 90% dos votos apurados, o "não" à reforma venceu com 50,7% dos votos; o "sim" obteve apoio de 49,29% dos eleitores.
Essa é a primeira derrota de Chávez após nove anos de governo e após nove processos eleitorais consecutivos dos quais o governo saiu vitorioso.
Ao perder o referendo, Chávez tende a "desacelerar" seu projeto de implementação do socialismo no país.
O governo atribuiu a derrota ao alto nível de abstenção no referendo, 44,9%. "A abstenção nos derrotou", justificou Chávez.
O presidente venezuelano afirmou que os resultados foram mais uma prova da democracia do seu país e disse que 49,29% dos eleitores aprovaram seu projeto socialista e que não retira uma "vírgula" da sua proposta.
"A proposta está viva", disse.
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