BBC Brasil
27/12/2007 - 17h58

Morte de Benazir é duro golpe contra estabilidade do Paquistão

PAUL REYNOLDS
da BBC Brasil

O assassinato de Benazir Bhutto é um duro golpe contra a esperança internacional de que o Paquistão possa voltar a ter estabilidade no futuro próximo.

O risco de que o país possa implodir voltou novamente a crescer.

O episódio representa um retrocesso na chamada "guerra contra o terror" dos Estados Unidos, que inclui a ambição de restaurar a democracia no Paquistão para oferecer ao país um caminho alternativo ao extremismo.

Agora, essa estratégia está em risco.

Tragédia anunciada

A morte de Benazir Bhutto ocorre a menos de duas semanas das eleições parlamentares, marcadas para 8 de janeiro.

A decisão da ex-primeira-ministra de seguir em campanha eleitoral apesar do duplo atentado suicida depois de seu retorno ao Paquistão, em 18 de outubro, foi sem dúvida corajosa.

Entretanto, essa decisão subestimou a determinação daqueles que queriam matá-la.

A própria Benazir Bhutto acusou extremistas islâmicos de estarem por trás do primeiro ataque.

Mais uma vez, a habilidade desses militantes de provocar caos com suas táticas cruéis ficou demonstrada.

Afeganistão

Até agora, os planos para se ter uma nação mais estável estavam mais ou menos andando no Paquistão.

O ditador Pervez Musharraf havia permitido o retorno tanto de Benazir Bhutto como de outro ex-primeiro-ministro, Nawaz Sharif. Musharraf também havia deixado o comando do Exército e governava como civil.

Ele também havia estabelecido a data para as eleições parlamentares e suspendido o estado de emergência.

A esperança era de que o processo político fosse retomado e que o confronto entre o Exército e militantes islâmicos gradualmente diminuísse.

Um fim para tal conflito é vital não apenas para a futura estabilidade do Paquistão, como também para o futuro do Afeganistão. É do Paquistão que o Taleban [milícia que controlava 90% do Afeganistão até a invasão da coalizão liderada pelos EUA em 2001] conduz sua guerra contra o governo afegão e seus aliados da Otan.

Se Musharraf e o Exército paquistanês decidirem que tal abordagem não é mais possível, eles podem optar por impor um regime militar, o que já aconteceu tantas vezes antes na história do Paquistão.

Isso não significa que Bhutto fosse vista como a solução para todos os problemas do país. Quando ela estava no poder, era vista por alguns como dominadora demais e, por vezes, como um elemento que causava divisões na sociedade.

Mas ela representava uma liderança carismática em um momento crucial, e tinha o potencial de proporcionar ao Paquistão os meios para passar por mudanças.

 

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