Vaticano prepara grande reunião com muçulmanos
da BBC Brasil
O Vaticano está organizando um grande encontro que vai reunir líderes católicos e muçulmanos em Roma com o objetivo de dar início a um processo de diálogo entre as religiões.
A reunião, ainda sem data marcada, vai ocorrer durante a primavera no hemisfério norte, entre março e junho.
A iniciativa do Vaticano é uma resposta a uma carta enviada por 138 líderes muçulmanos ao papa Bento 16 e a outros líderes cristãos em outubro. Na carta, eles advertiram que "a sobrevivência do mundo estaria em risco se muçulmanos e cristãos não alcançarem a paz".
"Se muçulmanos e cristãos não estiverem em paz, então o mundo não estará em paz", disseram os líderes na carta de 29 páginas.
A mensagem também foi considerada um convite aberto para que cristãos e muçulmanos se unissem em torno de aspectos fundamentais de suas fés, como a crença em um só Deus.
Discussões
Nos próximos meses, três representantes do grupo que enviou a carta irão a Roma para um encontro com o presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, o cardeal Jean Louis Tauran.
Na ocasião, os líderes religiosos devem estabelecer as bases para o grande encontro previsto para a primavera.
A reunião deve ter três pontos principais --o respeito à dignidade do indivíduo, o entendimento recíproco das religiões e como obter maior tolerância entre os jovens.
A relação entre a Igreja Católica e os muçulmanos foi abalada em 2006 depois que o papa, durante uma palestra numa universidade da Alemanha, fez críticas implícitas ao islã e ao profeta Maomé ao citar um texto medieval que liga o islamismo à violência.
A declaração gerou protestos em todo o mundo muçulmano. Em Nablus, na Cisjordânia, duas igrejas sofreram atentados com bombas.
No Paquistão, o governo chamou o embaixador do Vaticano no país para pedir explicações e o parlamento aprovou uma resolução recriminando o papa. No Catar, Egito e Irã, importantes líderes religiosos condenaram as declarações.
Poucos dias depois, o Vaticano soltou uma nota em que dizia "lamentar profundamente" que trechos da palestra de Bento 16 "pudessem ter soado ofensivos à sensibilidade dos fiéis muçulmanos", mas não pediu desculpas.
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