Hugo Chávez diz que espera novo contato das Farc
CLAUDIA JARDIM
da BBC Brasil
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse neste domingo que ainda aguarda informações das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) sobre a libertação de dois reféns que os rebeldes prometeram entregar a ele nas últimas semanas.
"Nós continuamos esperando novos contatos para a libertação de Clara (Rojas) e Consuelo (Gonzalez)" disse o presidente em seu programa semanal de TV, "Alô Presidente".
Chávez manifestou satisfação com a descoberta de que o filho de Clara Rojas, Emmanuel --que seria um dos libertados pela guerrilha-- foi encontrado em um orfanato, mas evitou fazer comentários sobre os últimos acontecimentos no caso.
"Mais importante que qualquer versão, enfoque ou discurso político, o mais bonito e importante é que Emmanuel está livre", disse.
Na sexta-feira, um exame de DNA indicou que um menino encontrado em um orfanato em Bogotá era Emmanuel, confirmando a hipótese do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que acusou as Farc de atrasarem a entrega dos reféns porque não tinham a criança em seu poder.
Horas depois, a guerrilha confirmou que há meses Emmanuel havia sido entregue a uma família em Bogotá.
Emmanuel continua no orfanato e poderia ser entregue à família da refém nos próximos dias.
Reforma ministerial
Também no programa, Chávez confirmou a troca do vice-presidente e dos titulares em 12 Ministérios.
Ramón Carrizales, que representa a aliança com o setor empresarial, assume a vice-presidência no lugar de Jorge Rodríguez, considerado por alguns setores chavistas como um dos responsáveis pelo fracasso da campanha do referendo de 2 de dezembro.
O presidente venezuelano disse que, com as mudanças, espera ver "uma gestão eficiente".
"Necessitamos de eficiência. Fazer as coisas previstas e fazer bem", afirmou Chávez, criticando a incapacidade de encontrar soluções para problemas como a coleta de lixo e a insegurança.
"Hoje, dia de Reis, deve ser o dia dos três Rs (...) reflexão, retificação e 'reimpulso' revolucionário", disse.
"Além das palavras, precisamos de fatos concretos, visíveis, palpáveis", afirmou o presidente.
Classe média
Pela primeira vez em quase nove anos de governo, Chávez se dirigiu à classe média como parte essencial de seu projeto político.
"As classes médias são a essência deste projeto. Todos que estamos aqui somos de classe média, de setores populares, mas de classe média do ponto de vista sócio-econômico", disse.
De olho no desenvolvimento industrial e na economia, que fechou o ano com crescimento de 8,5%, o presidente venezuelano convocou seus partidários a atacar o sectarismo e a incluir os empresários venezuelanos no que denominou como "pólo patriótico".
Chávez também deu inicio à campanha das eleições para governadores e prefeitos, que serão realizadas no final do ano.
O presidente associou uma possível volta da oposição ao governo em alguns Estados à desestabilização do país.
"Se permitissem em Caracas que a Prefeitura fosse tomada pela contra-revolução (oposição), tenham certeza que de imediato se iniciaria uma guerra. E voltariam a tirar a Chávez" disse o presidente, em referência ao golpe de Estado que sofreu em 2002.
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