Romance provoca queda em popularidade de Sarkozy
da BBC Brasil
Segundo relatos da mídia francesa, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, deve se casar com a namorada, a ex-modelo Carla Bruni, no dia nove de fevereiro --mas o romance está provocando uma enxurrada de críticas no país e a queda nos índices de popularidade do presidente.
Os jornais e programas de televisão franceses não páram de especular sobre o assunto.
Será que ele teria mesmo dado a ela, no Egito, um anel de noivado com um diamante cor-de-rosa em forma de coração? E teria ele marcado a data para nove de fevereiro?
A opinião pública francesa, no entanto, parece encarar o romance de forma cada vez mais negativa, e considera o relacionamento impulsivo, vulgar, exibicionista e, mais importante, uma distração dos deveres de presidente.
"Não elegemos uma estrela do rock", disse o jornal regional "Nice Matin", em resposta a mais fotografias glamurosas do presidente, vestindo jeans e passeando com a namorada na Jordânia.
"The Alsace" concorda:"Não precisamos dessa purpurina --precisamos que ele nos traga resultados econômicos".
Uma pesquisa de opinião feita pelo jornal "Le Parisien" indica que o presidente sofreu uma queda de vários pontos no seu índice de aprovação --apenas 48% dos franceses hoje dizem ter confiança no líder, a pontuação mais baixa desde que ele foi eleito, em maio.
Super-exposição
Muitos na mídia atribuem o problema a um excesso de exposição da vida pessoal do presidente.
Editoriais acusam Sarkozy de esquecer suas promessas eleitorais, como baixar o custo de vida, e de concentrar sua energia no romance.
Mesmo publicações de direita, como "Le Figaro", que tende a apoiar o presidente, reclamam que "enquanto o barril de petróleo flerta com a marca dos cem dólares, Nicolas Sarkozy flerta com Carla Bruni".
O Palácio Elysée não quis comentar sobre os rumores de que a dupla estaria se casando no mês que vem. Mas tal impetuosidade poderia corroer ainda mais a confiança do público no homem que muitos já acusam de ser muito impulsivo e obstinado em suas decisões políticas.
A presidência de Sarkozy tem sido marcada por uma popularização da política. O rosto do presidente já foi capa da revista de celebridades Paris Match seis vezes desde que ele foi eleito.
Mas a França é um país que não tem tradição de transformar políticos em estrelas.
No final de seu mandato, Francois Mitterrand foi famosamente questionado a respeito de sua amante e sobre sua filha ilegítima.
"Et alors?" --ele respondeu. "E daí?". A pergunta morreu ali.
A vida pessoal de políticos simplesmente não tinha interesse --até aparecer Nicolas Sarkozy.
Ele pode ser um especialista em manipular a mídia, mas há entre os franceses neste momento uma sensação nítida de que eles receberam informação demais.
Com o índice de desemprego ainda alto, o crescimento econômico ainda lento e os cofres públicos no vermelho, os franceses precisam de mais do que um casamento de contos de fadas.
O casamento pode estar nos planos do líder da Quinta República, mas a lua de mel política parece ter chegado ao fim.
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