BBC Brasil
26/01/2008 - 13h48

Fórum Social Mundial tem versão descentralizada

da BBC Brasil

O Fórum Social Mundial, que surgiu em 2001 como contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, terá a sua primeira versão "descentralizada" neste sábado.

Diferentemente de anos anteriores, quando o Fórum se desenrolava em um único megaevento para onde convergiam diversos movimentos sociais, este ano serão realizadas 800 ações espalhadas por 81 países, grande parte delas no Brasil.

O evento voltará a ocorrer no formato original em 2009, em Belém. Segundo os organizadores, a idéia é alternar edições "policêntricas" com reuniões em um só local, como as que eram realizadas em Porto Alegre e como a que ocorreu em Nairóbi, no Quênia, no ano passado.

"Diziam que o fórum era um festival. Em Nairóbi foi se construindo essa idéia de que, já que há essa crítica, vamos mostrar que o fórum tem uma relação real com as pessoas", disse Antonio Martins, editor do Le Monde Diplomatique no Brasil e um dos idealizadores do fórum.

Martins nega que as reuniões estejam se espalhando para conter uma suposta perda de mobilização ou para atender às críticas dos próprios manifestantes de que as dificuldades e custos envolvidos numa viagem ao local do evento "elitizavam" o movimento.

A falta de uma plataforma que sirva como uma alternativa viável à dominação pelas "elites neoliberais" também não é motivo de constrangimento para o articulador do movimento.

"A diversidade é mais poderosa do que a centralização", afirmou Martins, que representa a Attac (Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos) no Brasil. "O Fórum não é um lugar onde as pessoas tomam decisões, ele é um espaço onde os movimentos procuram se articular."

"Não queremos colocar modelos, queremos colocar valores. De que, por exemplo, o direito à saúde se sobrepõe às patentes, de que quem sabe o direito à terra se sobrepõe ao da propriedade, que quem sabe o direito à cultura se sobrepõe ao copyright."

O cientista político da UnB (Universidade de Brasília) Argemiro Procópio considera descabida, ao menos nesse momento, a expectativa de que os ativistas apresentem um modelo alternativo ao que criticam.

"O movimento está sendo criado, é recente, não dá para esperar que tenha competência para trazer alternativas, não dá para mudar o mundo em sete anos", diz Procópio.

Sem Lula

Na avaliação do cientista, a decisão de levar o Fórum para fora do Brasil marcou a identidade do movimento em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ajudou-o a se internacionalizar.

Já Martins diz considerar que a ausência de Lula, que esteve no Fórum Social em 2003 e 2005, tem pouca relevância para o movimento no seu atual estágio.

"Hoje o Lula representa muito pouco para o Fórum", disse.

O jornalista define o governo Lula como uma "desilusão positiva", porque teria mostrado que tomar o poder não é necessariamente a melhor estratégia para a mudança.

"O governo Lula contribuiu para acabar com a ilusão de um salvador da pátria."

Martins reconhece também que outras idéias que eram comuns nas primeiras edições do fórum já não encontram a mesma força no movimento, como a resistência à globalização.

"Muito rapidamente está se criando um consenso de que a globalização não é um mal. É bom ter acesso a música africana, cinema indiano, acho que ninguém mais usa essa expressão (antiglobalização). Somos um mundo só."

Embora tenha perdido a condição de sede desde que o evento saiu de vez de Porto Alegre, em 2005, o Brasil continua sendo o principal pólo do movimento, concentrando mais de cem das ações planejadas.

Comentários dos leitores
sebastião santos (8) 08/02/2009 23h15
sebastião santos (8) 08/02/2009 23h15
Eu queria etender qual o objetivo desse FÓRUM.Painéis fazem apologias a FIDEL,e ao mesmo tempo se fala em um novo mundo e em LIBERDADE.EM CUBA EXISTE LIBERDADE???Hoje 09/02 no ESPORTE ESPETACULAR mostrou um senhor que se exilou aqui no Brasil quando jovem para ter liberdade.Agora o LULA,CHAVEZ,MORALEZ, e outros dizem em um mundo diferente,criticam o CAPITALISMO.Porque se em CUBA é tão bom.PORQUE A POVO CUBANO QDO CONSEGUE FOGE PARA PAÍSES CAPITALISTAS,SERÁ QUE É PORQUE NÃO GOSTAM DA LIBERDADE QUE SE TEM EM CUBA???NIMGUÉM FOGE DO BRASIL PARA CUBA PORQUE???ESSE SISTEMA ARCAICO DE GOVERNO(COMUNISTA) NÃO DEU CERTO EM NENHUM LUGAR DO MUNDO.Nós brasileiros se não vivemos bem mas,sempre tivemos o direito de IR E VIR,não vamos querer que nossos filhos sejam escravos de ditadores sanguinários como esses que pensam em implantar esse sistema através de pessoas mas informadas como:INDIOS,SEM TERRAS E OUTROS QUE SÃO USADOS E NÃO SABEM E NEM TEEM NOÇÃO DO RISCO QUE CORREM DE SEREM CONDENADOS A VIVEREM PIOR QUE O QUE VIVEM HOJE,PERDENDO ALÉM DE TUDO SUA DIGNIDADE EO POUCO DE LIBERDADE QUE AINDA EXISTE NO PAÍS. sem opinião
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João Carlos Gagliardi (433) 02/02/2009 20h31
João Carlos Gagliardi (433) 02/02/2009 20h31
FORUM SOCIAL, ONDE???
Custou 150 milhões de reais dos cofres públicos, 600.000 preservativos distribuidos, milhares de litros de todos os tipos de bebida consumidos (menos agua...).
Grandes membros da sociedade presentes, tipo, MST, Via Campesina, Bolivarianos, Indios de Ipod e outras tantas personalidades, e o que eles decidem enquanto o mundo passa a maior crise econômica dos últimos 80 anos?
E qual a conclusão que estes valorosos cidadãos chegam e reivindicam?
Pedem a legalização da maconha!!!
Dá para acreditar em um negócio destes???
6 opiniões
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jonathan teixeira (321) 26/01/2008 20h35
jonathan teixeira (321) 26/01/2008 20h35
Ih, o site surtou! A notícia "+lida" é de 2004! 1 opinião
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