Bush tem metas diplomáticas limitadas para o Oriente Médio
CAIO BLINDERda BBC Brasil, em Nova York
Assim que se confirmou a vitória eleitoral de George W. Bush, o primeiro-ministro britânico Tony Blair fez um apelo para que os europeus trabalhem com o presidente americano e cooperem na sua agenda de combate ao terror e no Iraque.
Para Bush, Blair passou o recado nada sutil que resolver o conflito entre israelenses e palestinos é o "mais urgente desafio político no mundo de hoje".
De novo, Blair quer amarrar um pacote para todo o Oriente Médio e ser a ponte sobre o fosso transatlântico.
Governos europeus não podem se evadir da realidade. Bush conquistou um sólido mandato e, portanto, eles estão na encruzilhada: se tentam revitalizar esta aliança transatlântica ou se dão passos mais vigorosos para tornar a União Européia uma alternativa efetiva ao poder americano.
Não é preciso dizer qual é a rota da promissão para Blair e qual é a da perdição.
Mudanças sutis
Obviamente, não há como forjar uma aliança transatlântica tão firme como nos tempos da Guerra Fria, mas, assim que Bush venceu a eleição, diplomatas americanos disseram esperar que dirigentes europeus, em particular o francês Jacques Chirac e o alemão Gerhard Schröder, façam um cálculo pragmático e estejam mais dispostos a cooperar com Washington no Iraque.
Bush, ainda mais poderoso e autoconfiante, vai estar aí por mais quatro anos. A expectativa é realista. Seria cooperação em áreas como treinamento de policiais iraquianos.
Não se espera que europeus enviem mais tropas ou ajudem a carregar o fardo iraquiano.
Nem em Washington nem nas capitais européias há uma aposta forte de mudanças dramáticas nas relações transatlânticas no segundo mandato de Bush.
Oriente Médio
Outros pilares da ponte de Blair tampouco são muito sólidos. Na quinta-feira, na sua primeira entrevista coletiva pós-eleitoral, Bush foi de imediato perguntado sobre o empurrão do primeiro-ministro britânico sobre revitalização do moribundo processo de paz entre israelenses e palestinos.
O presidente americano não ecoou as palavras do seu grande aliado de que a questão seja a mais urgente no mundo de hoje.
Bush se limitou a reafirmar que é importante e que um Estado palestino independente deve coexistir pacificamente com Israel. O presidente não especificou como pode agilizar o processo de paz.
Em termos concretos, a saída de cena de Yasser Arafat abre oportunidades porque Bush não o considera um interlocutor, ecoando isto sim o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon.
Mas Washington hoje trabalha com objetivos muito limitados naquela parte do Oriente Médio, centrados no apoio ao plano Sharon de retirada unilateral de Gaza.
Há uma teoria de que, agora que está reeleito, Bush pode estar mais à vontade para espremer Sharon um pouco mais e assim ganhar pontos no mundo árabe e suavizar um pouco a decepção de Blair.
É uma teoria muito otimista. Na quarta-feira, ao analisar o triunfo conservador nas eleições americanas, o Aipac, um dos mais importantes lobbies pró-Israel em Washington, enfatizou que não vê a hora de trabalhar com o novo Congresso, "o mais pró-Israel da história americana".
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