Carnaval do Rio virou "espetáculo comercial", diz "Wall Street Journal"
da BBC Brasil
A data prematura do Carnaval brasileiro neste ano, que se transformou em um "espetáculo comercial", pode prejudicar a economia do Rio de Janeiro, informa a edição deste sábado do jornal americano "Wall Street Journal".
O jornal comenta que, em 2008, o Carnaval acontece mais cedo que em anos anteriores. Segundo o jornal, desde 1913 a Páscoa (23 de março) não é celebrada tão cedo no calendário e sua data acabou antecipando também as festividades carnavalescas.
A publicação cita uma campanha, liderada por Hiram Araujo, diretor cultural da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, para fixar uma data para o Carnaval.
Para Araujo, as festividades deveriam começar todo o primeiro domingo do mês de março.
A idéia, segundo o jornal, conta com o apoio da associação dos hotéis e das agências de viagens.
Segundo Araujo, a data antecipada do Carnaval deste ano pode trazer um final prematuro para a temporada de verão dos turistas e causar um "desastre econômico" para a cidade.
"A idéia é que, em um Carnaval prematuro, os turistas não tiveram muito tempo para se recompor financeiramente dos gastos do Natal e do Ano Novo", diz o "Wall Street Journal".
A proposta, no entanto, não agradou a Igreja Católica do país, comenta o jornal.
"Fixar a data do Carnaval para março significaria que as drag queens e os foliões iriam festejar nas ruas do Rio durante o período da Quaresma", esclarece a publicação.
Espetáculo comercial
De acordo com o "Wall Street Journal", a campanha para estabelecer uma data fixa para o Carnaval no Brasil reflete a transformação das características da festa, que passou de uma "festa de rua anárquica para um grande espetáculo comercial".
Para esclarecer a vertente comercial do Carnaval brasileiro, o jornal cita dados da secretaria de Turismo do Rio, que estima que 700 mil espectadores deverão participar das festividades deste ano e irão gastar cerca de U$510 milhões (R$892 milhões) na cidade.
Além disso, o "Wall Street" ressalta ainda os gastos do governo carioca para construir a Cidade do Samba, em 2005, e os cursos de "administração carnavalesca", oferecidos por algumas universidades no Brasil.
De acordo com o jornal, apesar do lucro somado durante as festividades, economistas do governo continuam procurando outras formas de impulsionar os lucros do Carnaval.
"O Carnaval hoje em dia é uma ciência. Não se trata mais de uma festa", diz Araujo ao jornal.
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