Imagem de Benazir Bhutto domina pleito no Paquistão
RODRIGOo DURÃO COELHO
enviado especial da BBC Brasil e Karachi (Paquistão)
A imagem de Benazir Bhutto, a ex-premiê paquistanesa assassinada no final do ano passado, é a figura central das eleições parlamentares e locais do Paquistão, marcadas para a próxima segunda-feira.
Nas principais cidades paquistanesas, fotos de Bhutto são presença constante em cartazes e capas de revistas, e muitos no país acreditam que sua morte, em um atentado após um comício no dia 27 de dezembro, foi um sacrifício pessoal em nome dos pobres.
Desde o mês passado, peregrinos viajam para visitar sua sepultura, em um fenômeno que está sendo chamado de "Bhutthoismo".
"Benazir deu a vida dela por nós, daremos a nossa por ela", disse à BBC o jovem Sahib Khan, que viajou de bicicleta por dois dias para visitar a vila natal da ex-premiê.
Comparecimento
Muitos esperam que a devoção mostrada pelo jovem seja revertida em votos, não apenas para o partido dela, o PPP (Partido do Povo Paquistanês), mas também para outros partidos de oposição.
Alguns cálculos apontam que o partido deve vencer nas áreas rurais da Província de Sindh (a natal de Bhutto e uma das quatro do país) e dividir os votos em Karachi, a maior cidade do país.
Apesar do apelo da imagem de Bhutto, analistas concordam que o comparecimento dos eleitores na segunda-feira deve ser baixo.
Nas últimas eleições, em 2002, o comparecimento foi calculado entre 30% e 40% dos eleitores registrados. Neste pleito, mesmo os partidos de oposição não esperam superar os números desse pleito.
Festa e luto
"Eleições são eventos festivos no Paquistão, há muita cor, danças, gente nas ruas, mas este ano foi bem diferente porque o período de campanha coincidiu com os 40 dias de luto tradicionalmente observados em países muçulmanos. Depois, os ânimos permaneceram mais sóbrios", diz Carmem González, jornalista espanhola radicada no país.
Durante as duas vezes em que esteve no cargo de premiê (1988-1990 e 1993-1996), Bhutto deixou o posto sob acusações de corrupção.
Seu viúvo, Ali Zardari, recebeu o apelido de "senhor 10%" em uma referência às propinas que ele supostamente teria cobrado para facilitar contratos na administração pública.
Para alguns analistas, a eleição de segunda-feira será, acima de tudo, uma avaliação do atual governo paquistanês - que procurava construir uma aliança com Bhutto antes de sua morte.
"Elas (as eleições) são, essencialmente, um referendo sobre os nove anos de governo do presidente Pervez Musharaf", afirma a correspondente especial da BBC, Lyse Doucet.
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