Paquistão vota sob forte esquema de segurança
da BBC Brasil
Protegidos por um forte esquema que inclui cerca de meio milhão de agentes de segurança, os paquistaneses começaram nesta segunda-feira a votar nos nomes que devem formar o próximo governo do país.
Além de 80 mil integrantes regulares do Exército, o governo mobilizou cerca de 420 mil policiais e diversos rangers --grupos armados que atuam sob o comando das Forças Armadas.
Nos últimos meses, a oposição vem acusando o governo de usar violência contra seus simpatizantes e de planejar fraudar o pleito.
No último dia da campanha eleitoral, sábado, a explosão de um carro-bomba matou 47 pessoas, incluindo o homem-bomba, em um escritório de um dos principais partidos da oposição, o PPP.
Sem medo
Mesmo com a ameaça de violência rondando o pleito, muitos dos que saíram de casa na capital Islamabad e na vizinha Rawalpindi para depositar seu voto dizem não sentir que estão correndo riscos.
"Votei sem medo porque a afeição que sinto pelo meu candidato me protege", afirmou à BBC Brasil Bushra Igaz, que votou em uma sessão eleitoral só para mulheres em Rawalpindi.
A poucos metros há outro local de votação só para homens. Eles entram de um em um e esperam pacientemente sua vez de votar, conversando sobre política. Questionados se têm medo de possíveis atos violentos, todos são unânimes em dizer que não.
"Deus vai nos proteger e nada vai acontecer. Essas eleições são importantes para mudar o pais", afirma Abdullah Aviu.
Mas muitos analistas acreditam que a violência deve ser um fator que contribuirá para um baixo comparecimento eleitoral, ainda menor do que os 41% que votaram nas ultimas eleições, em 2002.
Bhutto
A ex-premiê Benazir Bhutto foi assassinada em um comício em Rawalpindi, no dia 27 de dezembro. Sua morte levou ao adiamento das eleições, originalmente previstas para janeiro, e o assunto domina o pleito. Vários candidatos querem associar sua imagem à dela.
No local onde ela morreu, foi montado um memorial onde são vendidos souvenirs. Alto-falantes repetem de tempos em tempos seus discursos. O lugar atrai vários admiradores da ex-primeira-ministra.
Mahmoud Akhram diz que foi ao comício do dia 27 de dezembro junto com um amigo. Na saída, por ter deixado o local mais cedo, viu de longe quando a bomba explodiu. O amigo teve menos sorte: estava mais próximo de Bhutto e foi uma das cerca de 150 pessoas mortas na ocasião.
"Consegui recuperar os restos do meu amigo apenas tarde da noite", diz ele.
Mahmoud sorri ao mostrar a marca de tinta no dedo, sinal de que já depositou seu voto.
"Votei no PPP por Benazir, claro. Se as eleições não forem roubadas, eles vão ser o novo governo."
Fraude
A oposição vem repetindo continuamente que o governo deve fraudar o pleito. Na maioria das sessões eleitorais, representantes dos principais partidos fiscalizam o andamento dos trabalhos, atentos para a possibilidade de manipulação.
Em Rawalpindi, a reportagem da BBC Brasil conversou com três deles.
"Tenho certeza de que tudo vai ocorrer com transparência", diz Pervez, do partido governista PML-Q.
"Até agora, não ocorreu nenhum problema", afirma Delshad, do partido oposicionista PML-N.
"É mais difícil existir fraude nos grandes centros urbanos. Se acontecer, é mais provável que seja no interior", diz a representante do partido de Bhutto, Qau Parvwen.
Na quinta-feira, a ONG Human Rights Watch divulgou uma gravação na qual o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, supostamente admite que ocorrerá fraude no pleito desta segunda-feira.
Qayyum afirma que a gravação, além de falsa, é uma tentativa de desestabilizar o país.
Já o presidente Pervez Musharraf afirma que o governo não vai permitir que a oposição tome as ruas em protesto se houver suspeita de fraude, como alguns partidos ameaçaram.
A apuração terá inicio imediatamente após o fechamento das urnas, às 17 horas (9h no horário de Brasília).

