BBC Brasil
19/02/2008 - 08h37

Oposição lidera apuração em eleições paquistanesas

RODRIGO DURÃO COELHO
enviado especial da BBC Brasil a Islamabad (Paquistão)

Resultados extra-oficiais apontam nesta terça-feira que a oposição foi a grande vitoriosa das eleições paquistanesas, conquistando mais de 50% dos assentos no Parlamento do país.

Os dados indicam que o PPP, da ex-premiê Benazir Bhutto, assassinada no final do ano, e o PML-N, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, devem ficar com cerca de 30% dos votos cada.

Um porta-voz do governista PML-Q, que apóia o presidente Pervez Musharraf, declarou que, se essa tendência se confirmar, o partido vai procurar desempenhar seu papel de oposição da melhor forma possível.

O próprio Musharraf havia declarado que aceitaria os resultados das urnas, fossem eles quais fossem.

Reações

Os resultados oficiais devem ser divulgados na noite de terça-feira. Analistas acreditam que, após a consolidação dos resultados, terá início uma fase de negociações políticas para a formação de um novo governo.

Em editorial, o diário nacional "Dawn" pede que a nova administração assuma a tarefa de mudar a Constituição, para que ela volte a ter o espírito do documento original de 1973.

Neste sentido, segundo o jornal, é necessário que sejam mudados alguns dispositivos como o que permite ao presidente dissolver o Parlamento e demitir o primeiro-ministro a qualquer momento.

O jornal afirma esperar que Musharraf cumpra o compromisso firmado de atuar como uma "figura paternal" após as eleições.

"Esperamos que ele mantenha sua palavra e compreenda as implicações de ser um chefe constitucional".

O editorial do jornal "The News" afirma que pesquisas feitas pela mídia eletrônica indicam que o povo paquistanês está otimista de que essas eleições venham a trazer mudanças positivas.

O jornal afirma que uma das tarefas do principais partidos politicos é não permitir que esse otimismo se esvaia nos próximos meses.

Pelas ruas das principais cidades paquistanesas, simpatizantes dos partidos oposicionistas comemoraram os resultados na noite de segunda-feira.

Violência e fraude

O medo de possíveis atos de violência está sendo apontado como um dos motivos que levaram a um baixo comparecimento nas urnas.

Apesar da presença de cerca de meio milhão de agentes de segurança atuando para proteger as zonas eleitorais, estimativas apontam que menos eleitores votaram este ano do que nas eleições de 2002, quando o comparecimento eleitoral foi de 41%.

Por todo o país, cerca de 20 pessoas morreram em incidentes relacionados ao pleito desta segunda-feira. O PPP afirma que perdeu 15 de seus simpatizantes.

Apesar disso não houve grandes ataques a bombas e o nível de violência foi considerado baixo. Também não foram registrados incidentes relevantes de fraude eleitoral como alertava a oposição.

Além do governo, o desempenho dos partidos religiosos também está sendo bem pior do que nas últimas eleições.
Em 2002, o MMA, que é uma aliança de partidos religiosos foi o terceiro grupo mais votado, conquistando 60 lugares no parlamento.

Projeções sugerem que este ano, o MMA deve conquistar menos de dez lugares.
O MMA era o partido mais forte na região da fronteira com o Afeganistão mas também perdeu terreno nas eleições regionais para partidos mais moderados e laicos.

Estão em disputa 342 assentos da Assembléia Nacional, equivalente à Câmara de Deputados, e 100 vagas no Senado.

 

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