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Perguntas e respostas sobre a crise política na Ucrânia
da BBC BrasilA Ucrânia enfrenta uma grande crise política, com milhares de pessoas indo às ruas para protestar contra o resultado da recente eleição presidencial no país.
Nesta quarta-feira, a Comissão Central Eleitoral declarou que o primeiro-ministro Viktor Yanukovych foi o vencedor do segundo turno das eleições, realizado em 21 de novembro. Yanukovych tem o apoio do atual presidente, Leonid Kuchma.
No entanto, observadores internacionais disseram que a eleição não seguiu os padrões democráticos europeus. Além disso, pesquisas de boca de urna indicavam que o liberal reformista Viktor Yushchenko foi o vitorioso.
Conheça abaixo as respostas a algumas questões-chave na crise política que o país está enfrentando.
O que está acontecendo é uma revolução?
Quando manifestantes da República da Geórgia, no final do ano passado, forçaram o presidente Eduard Shevardnadze a reconhecer sua derrota nas eleições presidenciais e deixar o governo, os acontecimentos foram descritos como uma "revolução sem sangue".
No entanto, o governo da Ucrânia sobreviveu a grandes manifestações populares em 2000 e 2001, depois do assassinato do jornalista de oposição Georgiy Gongadze.
Parece que existe pouco espaço para negociação no momento, já que Yushchenko, na terça-feira, leu o juramento de posse na Presidência, com uma mão sobre a Bíblia, em um ato simbólico no Parlamento.
No momento, ainda não está claro o que vai acontecer a seguir. A oposição ucraniana diz que não há planos para resolver a crise em um diálogo com o presidente Kuchma, apesar de indicações anteriores de que as negociações iriam ocorrer.
As coisas podem ficar violentas?
Existe a possibilidade de violência.
Yushchenko convocou uma greve geral. Seus simpatizantes se depararam com um exército de policiais da tropa de choque do lado de fora do palácio presidencial em Kiev.
A oposição acredita que a violência foi usada contra seu candidato na campanha eleitoral. Yushchenko acusou seus oponentes de envenená-lo, o que teria provocando ferimentos no seu rosto. Médicos, porém, não confirmaram as alegações do candidato.
O governo decidiu reforçar a segurança em Kiev, mas o ministro da Defesa, Olexander Kuzmuk, pediu ao Exército que mantenha a calma. Ele insiste que a eleição foi realizada "conforme a lei".
Simpatizantes do governo têm realizado passeatas no leste do país, mais industrializado e com forte influência da Rússia. Manifestações rivais realizadas em Kiev, até o momento, têm sido pacíficas.
Qual é o impacto da crise fora da Ucrânia?
Os problemas na eleição parecem estar aumentando a tensão entre a Rússia e os países da Europa, além dos Estados Unidos.
Moscou, que era o centro do poder nos anos soviéticos, teve um papel importante nas eleições ucranianas.
O presidente russo, Vladimir Putin, endossou publicamente a candidatura de Yanukovych e se apressou em lhe dar os parabéns por sua vitória. Além disso, o governo russo acusou outros países, especialmente os da União Européia, de incitar a violência na Ucrânia ao considerar as eleições fraudulentas.
Os Estados Unidos, por sua vez, criticaram a Rússia por parabenizar Yanukovych antes que o resultado oficial fosse anunciado e também contestaram o resultado oficial do pleito, dizendo que há relatos "confiáveis" de fraude que têm que ser investigados.
Por que a Ucrânia tem importância para a Europa?
Maior do que a França e vizinha da Rússia, a Ucrânia fica na encruzilhada geopolítica entre o Ocidente e o Oriente.
O país tem uma população de 48,1 milhões e é o berço histórico do Império Russo. Pessoas de origem russa correspondem a 17% da população.
Desde que ocorreu o desmembramento da União Soviética, em 1991, os líderes ucranianos mantiveram ligações estreitas com a Rússia, que continuou sendo o principal parceiro comercial do país. Paralelamente, os países bálticos desenvolveram ligações muito mais profundas com a Europa Ocidental, passando a integrar a União Européia e a Otan.
A Ucrânia, contudo tem desempenhado um papel ativo em um programa da Otan, o Parceria pela Paz, e declarou que passar a integrar a União Européia é um objetivo estratégico.
Analistas acreditam que a eleição vai decidir se a Ucrânia vai se aproximar mais da Europa Ocidental, como quer Yushchenko, ou de Moscou, sob o comando de Yanukovych.
O que envolve a disputa?
Os resultados oficiais divulgados em 24 de novembro indicam que Yanukovych recebeu 49,46% dos votos, contra 46,61% de Yushchenko.
O candidato de oposição e muitos observadores disseram que houve abusos generalizados durante a votação, inclusive atos de intimidação de eleitores e índices de comparecimento improváveis às urnas em regiões do leste, onde Yanukovych tem mais apoio.
Yushchenko disse que o governo manipulou a eleição em favor de seu adversário.
A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disse, por sua vez, que o segundo turno "não respeitou um número considerável de compromissos de eleições democráticas".
Que sistema foi empregado nestas eleições?
Todos os cidadãos ucranianos com 18 anos ou mais têm o direito de votar. Há cerca de 36 milhões de eleitores registrados.
Candidatos com histórico criminal não podem participar de eleições. Yanukovych cumpriu duas sentenças de prisão quando jovem, mas diz que sua condenação foi suspensa e os registros, eliminados. A oposição fez disso um tema de campanha.
Quanto poder tem o presidente da Ucrânia?
A Ucrânia é uma república presidencialista, e o chefe de Estado tem o poder de nomear e afastar ministros e governadores regionais, assim como o de propor novas leis.
O governo, juntamente com políticos socialistas e comunistas, têm tentando aprovar reformas que passariam várias dessas atribuições para o parlamento.
A oposição de centro-direita se opõe à mudança, mas Yushchenko concordou em adotá-la gradualmente a partir do ano que vem em troca do apoio socialista à sua candidatura.
Clique aqui para ler um perfil da Ucrânia
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