BBC Brasil
19/02/2008 - 12h18

Governo do Paquistão admite derrota em eleições

RODRIGO DURÃO COELHO
enviado especial da BBC Brasil a Islamabad (Paquistão)

O partido PML-Q do Paquistão, que apóia o presidente Pervez Musharraf, admitiu nesta terça-feira derrota nas eleições parlamentares do dia anterior.

"Reconhecemos (a derrota) e parabenizamos aqueles que venceram as eleições", disse Mushahid Syed Hussain, secretário geral do PML-Q.

"Desejamos fortalecer o processo democrático permanecendo na oposição."

Com grande parte dos votos já contados, o PPP, da ex-premiê assassinada em dezembro, Benazir Bhutto, conquistou o maior número de assentos no Parlamento, seguido pelo PML-N, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. O governista PML-Q ficou em um distante terceiro.

Veredicto

Sharif disse que Musharraf deve deixar o cargo após a derrota nas urnas.

"O povo deu seu veredicto", disse ele nesta terça-feira.

"Ele (Pervez Musharraf) havia dito que quando o povo quisesse, ele deixaria o poder. As pessoas disseram o que querem", disse Sharif, que afirmou pretender se encontrar com o líder do PPP, Asif Zardari, na quinta-feira.

O senador americano John Kerry, que está em Islamabad onde acompanhou a eleição, disse que a votação "cumpriu os requerimentos básicos de credibilidade e legitimidade".

Ele e outros dois senadores dos Estados Unidos foram ao Paquistão atuar como observadores internacionais.

Reações

Os resultados oficiais devem ser divulgados na noite de terça-feira. Analistas acreditam que, após a consolidação dos resultados, terá início uma fase de negociações políticas para a formação de um novo governo.

Em editorial, o diário nacional "Dawn" pede que a nova administração assuma a tarefa de mudar a Constituição, para que ela volte a ter o espírito do documento original de 1973.

Neste sentido, segundo o jornal, é necessário que sejam mudados alguns dispositivos como o que permite ao presidente dissolver o Parlamento e demitir o primeiro-ministro a qualquer momento.

O jornal afirma esperar que Musharraf cumpra o compromisso firmado de atuar como uma "figura paternal" após as eleições.

"Esperamos que ele mantenha sua palavra e compreenda as implicações de ser um chefe constitucional".

O editorial do jornal "The News" afirma que pesquisas feitas pela mídia eletrônica indicam que o povo paquistanês está otimista de que essas eleições venham a trazer mudanças positivas.

O jornal afirma que uma das tarefas dos principais partidos políticos é não permitir que esse otimismo se esvaia nos próximos meses.

Pelas ruas das principais cidades paquistanesas, simpatizantes dos partidos oposicionistas comemoraram os resultados na noite de segunda-feira.

Violência e fraude

Apesar da presença de cerca de meio milhão de agentes de segurança atuando para proteger as zonas eleitorais, por todo o país, cerca de 20 pessoas morreram em incidentes relacionados ao pleito desta segunda-feira. O PPP afirma que perdeu 15 de seus simpatizantes.

Apesar disso, não houve ataques a bomba e o nível de violência foi considerado baixo. Também não foram registrados incidentes relevantes de fraude eleitoral como alertava a oposição.

Seguindo a tendência verificada pelos partidos governistas, o desempenho dos partidos religiosos também está sendo bem pior do que nas últimas eleições.

Em 2002, o MMA, que é uma aliança de partidos religiosos foi o terceiro grupo mais votado, conquistando 60 lugares no Parlamento.

Projeções sugerem que, este ano, o MMA conquistará menos de dez assentos.

O MMA era o partido mais forte na região da fronteira com o Afeganistão, mas também perdeu terreno nas eleições regionais para partidos mais moderados e laicos.

Estão em disputa 272 assentos da Assembléia Nacional, equivalente à Câmara de Deputados, e 100 vagas no Senado.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca